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Nº 5656
Política

Ufal: queda de 6% no orçamento deve impactar pesquisa e reformas

Reitor diz que não há mais onde cortar custos sem comprometer serviços e qualidade do ensino

Por Marcos Rodrigues | Edição do dia 02/01/2024 - Matéria atualizada em 02/01/2024 às 04h00

O ano novo começa com problemas antigos para a Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A “dor de cabeça” com a falta de recursos vivida em anos anteriores se mantém e, conforme o previsto, o orçamento a ser executado em 2024 vem com uma redução de 6% em relação ao do ano passado.

Segundo o reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, não há mais onde haver cortes, uma vez que serviços como limpeza, segurança e manutenção já foram afetados. Ou seja, não há mais como cortar sem atingir diretamente a qualidade do ensino se a situação não for revertida.

“Na prática, ao começarmos 2024 com essa perspectiva de 6% a menos em relação ao orçamento de 2023, chegamos com um deficit real oscilando entre 16% e 17%. Isso inviabiliza qualquer plano de expansão, principalmente com a proposta de um governo de onde se espera inclusão e uma transição social”, explicou Tonholo.

Isso porque, como a Ufal acolhe pessoas de baixa renda, precisa oferecer condições de ensino associadas a uma política de assistência que inclui, por exemplo, o fornecimento de alimentação de qualidade, por meio do restaurante universitário. “Quando isso é afetado, sofremos com a desistência e o abandono, porque aquele aluno que depende disso para também continuar estudando nos deixa e atrapalha qualquer projeto de ascensão social a partir da formação acadêmica”, completou o reitor. Ele ressaltou que a Ufal é uma das universidades que melhor aplicam seus recursos, com 99% de aproveitamento.

Tonholo revelou ainda que os recursos repassados à Ufal em 2023 chegaram a R$ 142 milhões, mas esse valor corresponde à verba que a universidade recebia em 2009, quando ainda não contava com os campi de Arapiraca e do Sertão.

Segundo ele, com o orçamento deste ano previsto para R$ 129 milhões, não há como garantir reformas, ampliação, alimentação e até mesmo setores de pesquisa. De acordo com Tonholo, o ministro da Educação, Camilo Santana, está sensível à causa das universidades, mas o orçamento depende das negociações do governo do Presidente Lula com o Congresso Nacional.

“Não fechamos nem tivemos maiores problemas porque nossa equipe de gestão técnica é muito guerreira e vai continuar lutando. Os reitores do País inteiro estão mobilizando suas bancadas federais e estamos nos articulando para fazer o mesmo. Já temos algumas manifestações, mas é preciso mais”, afirmou.

Ele revela que a “fuga de cérebros” é um outro problema porque, sem certeza de investimento e continuidade de pesquisas, muitos professores que foram ampliar sua formação fora do Brasil, diante da realidade nacional e da oferta internacional para produzirem, podem não retornar ao País.

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