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Obra mostra luta de “filhos do trabalho”

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| Patrícia Bastos Repórter Diante da falta de memória do povo alagoano que na maioria das vezes sequer lembra o nome do candidato que votou para deputado, importantes episódios da história política do Estado são retratados em Chrônicas Alagoanas: Notas sobre o poder, operários e comunistas em Alagoas, do historiador Sávio de Almeida, lançado na sexta-feira. Os quatro textos que compõem o volume, escritos que retraram os anos pouco antes da República até os idos de 1930, deixam de lado a história oficial dos donos de terras que detinham o poder político e econômico daquela época para se debruçarem sobre figuras marginalizadas no cenário: os ?braços livres?, que substituíram os escravos nos engenhos de açúcar; os ?artistas?, todos os trabalhadores dedicados a ofícios manuais; os operários das indústrias têxteis; os ferroviários e os funcionários do Porto de Maceió, responsáveis pelas primeiras greves em Alagoas. ### Reivindicações ultrapassam gerações Apesar da distância de quase um século entre o período final do livro e hoje, as reivindicações dos movimentos de trabalhadores ainda são as mesmas: salários dignos, melhores condições de trabalho e respeito profissional. O que mudou foi o cenário; em vez de operários e artesões, agora são os servidores públicos e funcionários de empresas privadas os responsáveis pela continuidade da luta para conquistar dignidade no trabalho. ### Historiador quer preservar patrimônio Dentre os locais que foram cenário da esquerda no início do século 20, poucos permanecem com a arquitetura original. Além da Fábrica Carmen, em Fernão Velho, que manteve a fachada e até mesmo o maquinário usado naquela época, o professor Sávio de Almeida chama a atenção para a importância histórica do Montepio dos Artistas, localizado onde funciona hoje a Associação Aliança Retalhista. Apesar de guardar ainda o projeto arquitetônico daquela época, a história daquele prédio de dois andares está ameaçada de ruir. ### ?A esquerda de hoje pensa para fora? Gazeta ? Os movimentos de esquerda que são tratados no seu livro ainda existem hoje? Sávio e Almeida ? Existem sim, nas associações de trabalhadores. Mas estamos vivendo hoje um momento de definições. O governo Lula possibilita a formação de inúmeras frentes desse movimento. Mas a esquerda hoje está mais voltada para o que está acontecendo fora dela, que não tem tempo para pensar sua própria conjectura. ///

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