loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

Den�ncias transformam PT em alvo da oposi��o

Ouvir
Compartilhar

Uma série de denúncias contra governos-vitrines transforma o Partido dos Trabalhadores (PT) em alvo da oposição. Acusado das irregularidades que mais critica em Estados como o Rio Grande do Sul, São Paulo e também no Distrito Federal, o PT teme prejuízo nas eleições devido ao desgaste de sua imagem. A vantagem do pré-candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tucano José Serra nas pesquisas de opinião minimiza a eterna predestinação do PT à derrota, mas o coloca, pela primeira vez nesta eleição, no centro da artilharia. Junto com a glória do sucesso na pré-campanha, a tempestade. Fraude, gastos irregulares e caixa dois - palavras até então usadas para atacar a direita - são motivos de inquérito nas principais vitrines do PT, que se diz vítima de perseguição, mas teme os efeitos nas urnas. A turbulência teve início nas maiores apostas do partido, São Paulo e Rio Grande do Sul. Olívio Dutra, governador gaúcho, foi acusado de ligação com o Jogo do Bicho, que teria inclusive financiado parte de sua campanha. Dutra saiu frágil do episódio e não conseguiu a chance de se reeleger, perdendo a candidatura para Tarso Genro em uma disputa acirrada. As prévias quase provocaram o racha do partido, que acumula 12 anos de vitórias no Estado. Contratos Em São Paulo, o PT teve a segunda chance de mostrar serviço e ganhar popularidade - após Luíza Erundina (89-92), Marta Suplicy assumiu a prefeitura da capital com direito a planos para chegar à Presidência. Um ano e meio depois de se eleger, Marta se empenha em explicar as denúncias de contratos realizados sem licitação, supostamente beneficiando empresas que doaram dinheiro à campanha petista. Ao mesmo tempo em que enfrenta a CPI do Lixo, criada para investigar contratos realizados sem concorrência pública com empresas de limpeza, Marta é pressionada pela liderança petista, que se preocupa com a influência de seu desempenho sobre o eleitorado. A chuva de denúncias se espalha por outras prefeituras paulistas (veja quadro) e alaga as chances do PT de se promover às custas do Estado mais rico do País. Fragilidades A sensação é inédita no partido. Os maiores críticos são agora os criticados. Quem se acostumou a denunciar está tendo que aprender a justificar. O partido que sempre vendeu a imagem de anticorrupção, maior elo de ligação com seus eleitores, convive com as irregularidades, mesmo que ainda sob suspeição, mas condenadas pelo próprio PT. Essas fragilidades certamente servirão de munição para os concorrentes de Lula a uma vaga no Planalto. A equipe do marqueteiro Nizan Guanaes, responsável pela campanha de Serra, já levanta reportagens sobre os escândalos das administrações petistas. A favor do partido existe o fato de que nenhuma denúncia foi comprovada. Enquanto nega as acusações, o PT lembra que é feito de carne e osso. Os defeitos da sociedade brasileira se refletem também no partido que luta para manter a imagem de guardião da ética, e isso não seria contradição. Apesar de o partido se dizer tranqüilo, Lula enfrentará sua mais difícil batalha. Há muita munição para ser usada contra ele. O PT vai ser muito mais cobrado porque ele é o que mais cobra dos outros. A má atuação de algumas administrações não deve atrapalhar no primeiro turno, mas se não forem bem trabalhadas, podem fazer Lula perder a eleição. Principais complicações Os deputados distritais do PT e o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, foram acusados de terem recebido dinheiro desviado de entidade privada para financiar a campanha de 1998. A Câmara Distrital criou uma CPI para investigar o caso. Cristovam Buarque recebeu R$ 25 mil do empresário Ricardo Sérgio, ex-presidente do Banco do Brasil e ligado a José Serra, como doação para a campanha de 1998 contra Joaquim Roriz (PMDB). Ricardo Sérgio está envolvido no caso de denúncia de propina na Companhia Vale do Rio Doce. A gestão de Marta Suplicy, prefeita de São Paulo, é investigada pela CPI do Lixo, devido às denúncias de contrato sem licitação com empresas de limpeza, que teriam sido doadoras da campanha petista. A Prefeitura de São Paulo sofre ainda várias denúncias de licitações irregulares: obras contra enchentes (R$ 36 milhões), coleta de lixo (R$ 529,7), construção de escolas (R$ 360 milhões), manutenção de semáforos (R$ 1,3 milhão). Pesa ainda contra o governo Marta o colapso do sistema de transporte público da capital. Outras prefeituras paulistas do PT investigadas por fraude em licitação: Ribeirão Preto-SP (prefeito Antônio Palocci Filho, coordenador do programa de governo de Lula), Araraquara-SP (Edinho Silva), São Carlos-SP (Newton Lima), Campinas-SP (Izalene Tiene). Olívio Dutra, governador petista do Rio Grande do Sul, foi alvo de CPI da Segurança Pública, que apontou ligação do PT com o Jogo do Bicho. Com a imagem arranhada, Dutra perdeu a chance de se reeleger. O PT vai disputar o governo gaúcho com Tarso Genro. O governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, sofreu acusações de gasto excessivo com propaganda, justamente uma das maiores críticas do PT contra governos de direita. Houve também denúncia de desvio de verba do FAT para campanha de vereadores petistas. Jorge Viana, governador do Acre, também tem seu governo investigado pelo Ministério Público devido a supostas fraudes em licitações públicas.

Relacionadas