Política
Gautama tem obra de 23 anos em AL
GILVAN FERREIRA Repórter A desarticulação do esquema de desvios de recursos federais liberados para ?obras estruturantes? em Alagoas pela Operação Navalha da Polícia Federal (PF), responsável pela prisão de seis integrantes do 1º escalão do governo Teotonio Vilela Filho (PSDB), trouxe à tona a falta de controle sobre recursos do Estado e o descumprimento de decisões governamentais. O ex-secretário de Infra-estutura, Adeilson Bezerra, indicado pelo PMDB para um dos cargos de maior importância na estrutura do 1º escalão do governo, é acusado pela PF de facilitar o esquema de liberação de recursos ilegais para a construtora baiana Gautama, que comanda pelo menos cinco grandes obras de engenharia no Estado, financiadas com recursos federais. ### Serviços e materiais superfaturados PATRICIA BASTOS Repórter A empreiteira Gautama é acusada de irregularidade em 30 processos investigados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nos estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Maranhão, Sergipe e no Distrito Federal. Apenas em Maceió, a empreiteira Gautama está envolvida em pelo menos duas obras inacabadas ? a Macrodrenagem do Tabuleiro do Martins e o Sistema Pratagy. Esta última, apesar das irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 2005, recebeu R$ 70 milhões em recursos naquele ano, em créditos extraordinários. A obra de macrodrenagem do Tabuleiro passou por auditoria do TCU, que detectou o pagamento superfaturado de R$ 15 milhões à Gautama. ### Empresa tinha trânsito livre no Estado Além das obras do Canal do Sertão, adutoras do Sertão e Agreste, da Macrodrenagem do Tabuleiro do Martins e do Sistema Pratagy, a Gautama estava pronta para disputar a concorrência pública para construir um dos trechos do projeto de transposição do Rio São Francisco, que também abrirá um novo canteiro de obras em Alagoas. O interesse da Gautama era utilizar a sua influência em Brasília para ?abocanhar? parte do R$ 275 milhões do projeto de transposição do São Francisco, uma das prioridades do governo federal no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). GF ### Adutora vira monumento ao desperdício Mais uma obra inacabada da empreiteira Gautama em Olho d?Água do Casado demonstra o desperdício de recursos públicos. A adutora de uso múltiplo, que seria instalada no assentamento Nova Esperança, que deveria servir para irrigação de lavouras no Alto Sertão, ficou pela metade e hoje compõe um cenário de abandono, enquanto os moradores ainda carecem de um sistema de irrigação para as roças. PB ### Irregularidades paralisaram obra A paralisação das obras da adutora de uso múltiplo em Olho d?Água do Casado foi determinada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 2004, em razão da irregularidade na contratação da empreiteira Gautama pela Secretaria Estadual de Infra-estrutura (Seinfra). Segundo o acórdão 1773/2004, a Seinfra favoreceu a Gautama, realizando apenas uma licitação para a implantação dos projetos da adutora do Agreste e a adutora do Sertão. Depois, tentou validar o mesmo certame para a adutora que seria construída no assentamento Nova Esperança. PB ///