Política
Mam�grafo trava verbas para Alagoas
ODILON RIOS Repórter Um mamógrafo que está sem uso na cidade de Coruripe, desde 2004, foi o mais recente motivo para impedir a vinda de recursos do governo federal a Alagoas em todos os órgãos da administração direta e indireta. É que o Estado entrou na lista de devedores do governo e o caso do mamógrafo promete piorar: o Estado corre o risco de perder R$ 40 milhões, dinheiro para continuar a construção do Canal do Sertão, incluindo todos as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o megaprojeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que promete injetar no Estado, em quatro anos, R$ 820 milhões. ### Equipamento vai funcionar após 3 anos A reportagem esteve em Coruripe e conferiu de perto que as ameaças do governo do Estado de tomar o mamógrafo deram resultado: o material funcionará até o dia 15 de julho, foi o que garantiu o coordenador de Saúde da cidade, José Arnaldo. Salas e equipamentos estavam sendo montados em um centro de diagnósticos que atende 220 pessoas por dia em várias áreas, como Citologia e exames de sangue, abrangendo, além de Coruripe, Feliz Deserto, Junqueiro e Teotônio Vilela. ### Secretário ameaça retirar aparelho O secretário estadual de Saúde, André Valente, chegou a apelar. ?Se a prefeitura não resolver a situação do mamógrafo, vamos transferi-lo para outro lugar?. O MS encaminhou um aviso ao secretário: só retira Alagoas do Cauc quando o mamógrafo atender o primeiro paciente. A conversa com André Valente foi na terça-feira, 26. Quarta-feira, 27, a Gazeta esteve em Coruripe, à tarde. Paredes e portas estavam baritadas no lugar onde será instalado o mamógrafo. ### Em Coruripe, hospital tem até horta para deficientes A vinda dos técnicos do Ministério da Saúde apressou as obras para instalação do mamógrafo em Coruripe, talvez para impressionar a equipe de Brasília. O equipamento já virou até uma lenda. Dentro do governo, segundo informou uma fonte, o equipamento queimou, quando foi ligado na tomada. ?Não é verdade. Esse tipo de equipamento só é instalado com assistência técnica?, afirmou o coordenador de Saúde de Coruripe, José Arnaldo. ### Cauc: o cadastro dos devedores O Cadastro Único de Exigências para Transferências Voluntárias (Cauc) reflete o atendimento às exigências legais e normativas para celebração de convênios e transferência de recursos. Todas as secretarias e órgãos estão subordinados ao cadastro do governo federal. ?O mamógrafo é dos convênios que deixou Alagoas inadimplente. Mas está sendo resolvido?, disse o secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado. ### Dinheiro pode sumir, avisa ministro A vinda dos R$ 40 milhões do governo federal a Alagoas para o Canal do Sertão faz parte de um convênio assinado pelo governo Ronaldo Lessa para a obra, que estão ?guardados? em Brasília e seriam liberados tão logo o Estado concluísse uma auditoria em todas as obras públicas, provocada pela Operação Navalha, uma máfia das licitações de obras públicas, presa pela Polícia Federal e que arrastou cinco membros do governo Teotonio Vilela Filho (PSDB) para fora do governo, acusados de receber propina para beneficiar a Gautama em obras no Estado. ### Unidades não têm estrutura nem pessoal Patrícia Bastos Repórter O mamógrafo de Coruripe não é o único equipamento hospitalar que está parado em vez de servir para à população. Em outros municípios do Estado é possível encontrar estruturas hospitalares paralisadas enquanto o atendimento médico é deficiente. Em Santana do Ipanema, um hospital construído há quase uma década nunca recebeu pacientes, porque faltam equipamentos e mobiliário. Só agora o governo estadual elaborou o plano de salvação para o ?elefante branco? do Sertão, com o projeto de transformar as salas e corredores vazios no Hospital Geral de Santana do Ipanema (HGSI). ///