Política
Normas internas geram empecilhos para PMs
Em caráter oficioso, há três ou quatro militantes da tropa da Polícia Militar de Alagoas que irão concorrer às eleições para deputado estadual, em 6 de outubro próximo. A informação foi dada pelo comandante-geral da PM/AL, coronel Ronaldo dos Santos. O número de representantes ainda é pequeno, tendo em vista as reais necessidades da categoria. E o fator que mais impede um militar de optar pela carreira política são as normas que regem o estatuto da instituição. A principal delas é a questão salarial, pois quando o candidato é eleito e toma posse, é automaticamente afastado das atividades do quartel e passa para a reserva remunerada, percebendo um salário proporcional ao tempo de serviço. ?Para quem tem muito tempo de serviço, a situação não chega a ser complicada, mas para que tem pouco tempo a coisa se complica. É uma carreira arriscada?, afirma o coronel Ronaldo dos Santos. ?Por isso é que não há muito interesse da tropa em se candidatar a algum cargo político?, reforçou. Além dessa questão, há o fato de que quando o político terminar o mandato e não for reeleito, ele não poderá voltar às atividades no quartel, nem receber os soldos de antes, ou seja, ele continua recebendo o vencimento proporcional ao tempo de serviço. Ainda segundo o comandante-geral da PM/AL, os candidatos às eleições de outubro se afastam, temporariamente, das atividades da corporação, a partir do dia 30 deste mês, mas não perdem o vínculo com a instituição. ?Reconheço que é muito importante termos representantes da categoria na política, principalmente pela peculiaridade das matérias que são discutidas na ALE e na Câmara, de interesse da corporação. É fundamental que haja gente nossa na área, ou seja, que conheça a realidade e os interesses da corporação. Na minha opinião, trata-se de um exercício de democracia e cidadania a opção de qualquer militar ser candidato às eleições. É até natural que despontem policiais nessa área, apesar das muitas questões e restrições que devem ser levadas em conta?, disse o comandante, acrescentando que é um trabalho que deve ser feito a médio e longo prazo. Pelo fato de cabos e soldados só terem garantido o direito ao voto há 14 anos, o coronel tem a opinião de que eles ainda têm uma cultura política muito nova. Como a carreira política exige vocação, aptidão e caráter de liderança, ele considera que os militares ainda não estão politizados. ?Há uma não-vocação para exercer um cargo na política. Os policiais estão mais voltados à disciplina interna do quartel?.