Política
ALE aposta em maior independ�ncia dos partidos
A principal justificativa dos deputados para apoiar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) está na confiança deles de que o fim da candidatura nata dará maior independência aos partidos, hoje comandados por pequenos grupos ou, em caso de legendas menores, por uma ou duas pessoas. ?Esse é um esboço que se faz para fortalecer os partidos. Muito embora a gente que está no mandato perca o benefício, eu considero isso válido?, disse o deputado Marcos Ferreira (PSB). A queda da candidatura nata, avaliou ele, evitará que pessoas se filiem a qualquer legenda por conveniência pessoal e não por se encaixarem no programa partidário. ?Os deputados terão agora que estar mais afinados com as diretrizes do partido. Esse processo, na realidade, complementa a verticalização?. O deputado Rogério Teófilo (PFL) segue a mesma linha de raciocínio. ?Hoje, o que a gente vê são pessoas que usam o partido para se eleger e depois se esquecem da sigla, não obedecendo às diretrizes, às determinações, à ideologia que o partido defende. Considero que esse é mais um passo que está sendo firmado na direção da fidelidade partidária?, disse Teófilo. Participação Para o parlamentar, o fim da candidatura nata ?fará com que os políticos participem mais das reuniões do partido, das decisões em torno do rumo do partido, para não deixá-lo somente nas mãos do presidente?. E o deputado que não se enquadrar nas diretrizes e deliberações partidárias, complementou, terá que responder pelos seus atos. ?Se eu participo do PFL, tenho um programa a cumprir, e não ficar agindo contra o partido, que tem que ter autonomia para decidir quando uma pessoa deve ou não ser mantida em seus quadros. Eu acho o seguinte: quem não deve não teme. Senão, como vamos fortalecer os partidos no Brasil se não houver lealdade??, questionou. O que não é mais possível, dizem em coro os parlamentares, é que os membros das legendas continuem a ser tratados como coadjuvantes durante as decisões plenárias, sendo vítimas do rolo compressor, já que atualmente as negociações são feitas individualmente e não com os partidos. Alguns deputados desabafam, afirmando que têm presidentes (de diretórios) que se acham caciques. Para os parlamentares isso não pode existir porque o partido é composto por um conjunto de membros. Entretanto, muitas das vezes as decisões não partem do conjunto do partido, mas pela presidência. E essa decisão do STF obriga o partido a tomar decisões conjuntas, afirmam os deputados. Retaliações Mas a decisão do Supremo não dá margem a retaliações? Os deputados admitem que o risco existe, mas, se houver algum tipo de retaliação por parte do partido contra até mesmo quem já tem mandato político, é porque essa pessoa não obedeceu às orientações partidárias. Nesse caso, o caminho seria a expulsão, mas essa medida é considerada ?traumática? pela maioria dos que compõem a Assembléia Legislativa. Com o fim da candidatura nata, é possível que um deputado, por exemplo, ao final do mandato, tenha sua conduta avaliada pelo partido, que assim poderá decidir, na convenção, se ele terá ou não uma nova chance. Boicote Os deputados alagoanos, contudo, não acreditam em qualquer espécie de boicote a candidaturas. ?Isso é antiético e só deverá acontecer dentro dos partidos que não têm debate político e que ainda não aprenderam a conviver com a democracia?, ressaltou Gilvan Barros. Já as legendas que praticam esse debate, mesmo com todas as divergências, a tendência é serem fortalecidas, na opinião do deputado. ?Se nós formos pensar nessas questões (boicote e retaliações), vamos tirar todo o objetivo da instituição partidária, que é o seu fortalecimento. O que precisamos é ter credibilidade necessária, para não usar esse tipo de mecanismo?, finalizou.