Política
Emancipa��o pol�tica marcada por greve
Patrícia Bastos Repórter Depois do conturbado desfile de 7 de Setembro, a expectativa é que a comemoração da emancipação política de Alagoas, neste domingo, aconteça em clima de paz e tranqüilidade. Os policiais civis em greve não planejam fazer manifestações e a participação dos estudantes das escolas estaduais, que estão com as atividades paralisadas desde a última quarta-feira, também está garantida. Depois de 190 anos da emancipação política de Alagoas, o conflito entre a classe trabalhista e o poder dominante demonstra que a herança colonial ainda está longe de ser abolida. Num Estado que, ao longo dos anos, apresentou um desenvolvimento econômico pequeno além das usinas de açúcar e dos currais de gado no Sertão, a estrutura administrativa do governo está entre as principais fontes de renda entre os habitantes das cidades. ### Paralisação não impedirá desfile Apesar da greve da Educação, a participação dos alunos das escolas estaduais na parada deste domingo está garantida. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, quase 5 mil estudantes devem participar do desfile. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteal), Girlene Lázaro, como o evento estava programado antes da paralisação da categoria, o sindicato preferiu não intervir. ?Deixamos que a direção das escolas definissem se participam ou não do evento. Não quisemos interferir nesse ponto. Acredito que a maioria das escolas deva participar?, declarou. ### Fato histórico teria origem em aspectos econômicos A Emancipação Política de Alagoas é conhecida como mais um feriado no calendário do que como o marco para o início da história do Estado. Nem mesmo os historiadores chegam a um consenso entre os fatos que desencadearam o início do processo. Segundo o historiador Dirceu Lindoso, a elevação de Alagoas à condição de capitania se deve mais ao panorama econômico da época do que a fatos políticos. ### Terra, engenhos e cana-de-açúcar: foi o começo Se existem dúvidas sobre os fatos que levaram à origem de Alagoas, os historiadores concordam em um ponto. O Estado surgiu a partir dos grandes latifúndios, onde se plantava cana e beneficiava em engenhos. Essa era a realidade na região Norte do Estado. Na parte do Sul e do Sertão, as terras serviam principalmente para currais de gado. De acordo com Sávio de Almeida, isso demonstra uma divisão social entre o norte tradicionalista e o sul com uma matização liberal. ?Haverá um crescimento da ?esquerda? na época, que chegará a conquistar um período de poder. Mas teremos também uma sucessão de pequenos golpes, envolvendo tropas e políticos?, afirma o historiador. ### Concentração de terra como forma de poder político As atuais lideranças dos movimentos agrários confirmam que a cultura da concentração de terras como forma de poder político ainda está muito presente em Alagoas, mesmo depois de 190 anos da emancipação política do Estado. O coordenador da Comissão Pastoral pela Terra (CPT), Carlos Lima, afirma que em vários pontos do Estado, ainda existe a ?reprodução do coronelismo?, como ele classifica. ?A lógica em Alagoas é que para ser rico é necessário ter terras, e quem tem terra tem poder sobre as pessoas que vivem nela? declarou Carlos Lima. ///