Política
Crimes deixam governo sob press�o da sociedade
Davi Soares Repórter O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado no início do mês aponta o Brasil como o País com o maior índice de sensação de insegurança do mundo, com 70% da população atingida pelo sentimento de medo da violência. Essa informação parece uma constatação óbvia quando é abordada no contexto da sociedade alagoana, que se sente cada vez mais acuada pela ação do tradicional coronelismo político alagoano. As pressões dessa insegurança também encurralam o governo do Estado, que desde o seu primeiro mês enfrenta crises na segurança pública, desde a morte do vice-prefeito de Pilar Gilberto Pereira Alves, o ?Beto Campanha? (PMDB). ### ?Estamos trabalhando muito? O delegado-geral da Polícia Civil, Carlos Alberto Reis, garantiu na sexta-feira (5), ter reunido um vasto material colhido em depoimentos e diligências acerca dos assassinatos dos três políticos no interior do Estado. ?Estamos trabalhando muito. Ouvimos muita gente e vamos ter novidades. Quando se aproxima o período eleitoral sempre ocorre uma série de crimes políticos. Estamos apurando e, se Deus quiser, chegaremos a um final feliz com a prisão dos assassinos e dos mandantes, se assim houver?, garantiu Reis. ### Assassinatos deixam população temerosa A sazonalidade dos crimes políticos no Estado faz com que a relação entre a polícia e a política vá além da sonoridade das palavras e se acentue em momentos pré-eleitorais como o atual. Ainda mais quando, como nas últimas semanas, se aproxima o limite previsto para o troca-troca partidário ou convenções dos partidos políticos. Do Sertão alagoano ao Litoral Norte, os crimes intensificaram as rivalidades e, na ausência de Justiça, podem resultar em mais violência. Mais que outra onda de violência, os crimes políticos fazem transparecer a cultura do coronelismo que vem encharcando de sangue o solo alagoano há décadas. ### Governador deve pedir ajuda federal na 4ª feira Na última quinta-feira, o governador Teotonio Vilela Filho admitiu em uma reunião a portas fechadas no Palácio dos Palmares, que pedirá ajuda à Polícia Federal e talvez até de tropas federais para combater o crime em Alagoas. A afirmativa do governador foi feita aos deputados e familiares do vereador assassinado Fernando Aldo, que o pressionaram e o sensibilizaram a respeito da grave situação por que o Estado estaria passando. ### Críticas contra general e greve embaralham ações Os familiares do vereador Fernando Aldo temem que as investigações sejam desvirtuadas do verdadeiro motivo do crime, que seria político, por isso pediram para a Polícia Federal (PF) assumir o inquérito. Eles e o grupo de políticos que acompanharam a reunião afirmaram que o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) confirmou a intenção de pedir ajuda federal no Estado. A declaração gera contradição por ter sido dada um dia depois de Vilela afirmar que o secretário de Defesa Social, gereral Edson Sá Rocha, permanece ?firme e forte? no cargo. O general, por sua vez, disse à Gazeta, por meio de sua assessoria, desconhecer a pauta de reivindicações que Vilela levará ao Ministério da Justiça. ///