Política
Em busca de justi�a
| Davi Soares Repórter A impunidade resultante da falta de políticas públicas, do interesse político e de estrutura policial para combater as ações criminosas em Alagoas continua, a cada dia, a atingir um número imensamente maior de alagoanos do que a quantidade de vítimas fatais da violência. Trata-se das famílias de pessoas assassinadas, que em pouquíssimos casos conseguem ter a oportunidade de cobrar justiça diretamente de autoridades como o governador, deputados e juízes. Do outro lado, ao restante das famílias que povoam as favelas e subúrbios da capital e do interior do Estado, resta o silêncio diante do medo e do desestímulo para lutar por justiça. ### Acesso às autoridades é privilégio de poucos Ter acesso a autoridades como o governador Teotonio Vilela Filho, o presidente do Tribunal de Justiça, José Fernandes de Hollanda, e o presidente da Assembléia Legislativa, Antônio Albuquerque, não é nada fácil e nem algo corriqueiro. Pessoas como os pais de João Paulo Martins da Silva, o Paulinho, de 8 anos, que foi encontrado no início do mês enforcado em um orelhão do bairro Jacintinho, nem sonham em um dia apelar por justiça a autoridades, como fez a família do vereador Fernado Aldo e de outras pessoas com uma boa posição social. ### Situação vexatória A socióloga Ruth Vasconcelos considera nula a hipótese da autoridade poder ter alguma intenção de se promover ou sair com alguma vantagem ao receber familiares de vítimas da violência para ser cobrada. ?Eu não vejo ganho para a autoridade que recebe essas famílias. Eu vejo é um constrangimento de todas as partes. Porque uma visita de uma família que faz um apelo de justiça ao governador dá visibilidade à ineficiência e à impunidade. Acho que o governante deve ficar em uma situação extremamente vexatória. ### Entidades também cobram Em meio ao caos da perda de um familiar para a violência, é difícil identificar qual é a autoridade que deverá ser cobrada para desencadear uma ação eficaz para que inquéritos avancem e denúncias sejam apuradas. Órgãos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público (MP) e o Conselho Estadual de Segurança Pública possuem estrutura e o papel de promover ações contra a impunidade. ///