Política
Taturana enquadra a Assembl�ia
GILVAN FERREIRA Repórter A operação da Polícia Federal que prendeu, na quinta-feira passada, 40 pessoas acusadas de corrupção e fraude, abre um novo quadro em relação à Assembléia Legislativa Estadual. São dois efeitos imediatos, cujos desdobramentos e alcance ainda serão devidamente sentidos ao longo do tempo: impõe a discussão sobre a ?caixa-preta? do Poder Legislativo, que é mantida em absoluto segredo somente conhecido por um grupo reduzido de parlamentares, e altera a correlação de forças políticas no Estado, que vem sendo marcada pela forte influência do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Antônio Albuquerque (DEM), que vinha sabendo ocupar os espaços vazios surgidos com a crise instalada no governo de Teotonio Vilela (PSDB), e, até mesmo, com a perda do poder do ex-presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB). ### Deputados serão indiciados Durante um ano e seis meses, a Polícia Federal trabalhou silenciosamente para desarticular uma associação criminosa, instalada na Assembléia Legislativa de Alagoas, que começou a atuar em 2001 e, até a última quinta-feira (6), teria desviado R$ 200 milhões dos cofres do Poder Legislativo. Para desarticular a quadrilha, a direção-geral da PF autorizou o deslocamento de um batalhão de 370 agentes e 80 delegados, que ?invadiram? Alagoas para cumprir 40 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, decretados pela desembargadora federal Amanda Lucena, do Tribunal Federal da 5ª Região, em Recife (PE). GF ### Esquema envolvia 1.200 pessoas O esquema montado para desviar recursos da Assembléia Legislativa, que começou em 2001, funcionava com a participação de uma grande rede criminosa que envolvia mais de 1.200 pessoas, a maioria servidores da Casa, funcionários de cargos comissionados e pessoas que, em troca de uma pequena quantia, cediam seus documentos para abertura de contas ou transferências de recursos desviados dos cofres do Legislativo. Em alguns casos essas pessoas nunca viram a cor do dinheiro. ### MP também tenta abrir caixa-preta Patrícia Bastos Repórter Além da Polícia Federal, o Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do Ministério Público realiza uma investigação paralela sobre as finanças da Assembléia Legislativa do Estado. Neste procedimento, instaurado em agosto do ano passado, o alvo são os pagamentos das despesas de custeio e as movimentações financeiras nas contas da ALE. As investigações permaneceriam desconhecidas até hoje, se a gerência do Banco Rural em Alagoas não tivesse se recusado a fornecer informações sobre as transações bancárias para o Gecoc. ### Depoimento instigou investigação As investigações do Gecoc começaram a partir de um pronunciamento do deputado Paulo Fernando dos Santos, Paulão (PT), durante sessão na Assembléia Legislativa no ano passado. O parlamentar fez um discurso inflamado, afirmando que as finanças da Assembléia seriam uma ?caixa-preta? e que não havia transparência na utilização do duodécimo, que acabou ecoando fora das paredes da ALE. ?Diante de denúncias de teor tão grave, o Ministério Público não poderia ser omisso, então foi decidido instaurar investigação. Se fosse diferente, seríamos coniventes com as possíveis irregularidades?, explicou a promotora Karla Padilha. ### Operação tira poder de Albuquerque Acusado pela Polícia Federal de ser o ?mentor? da fraude que desviou R$ 200 milhões dos cofres da Assembléia Legislativa, o presidente da Mesa Diretora, deputado Antônio Albuquerque (DEM), deve enfrentar dificuldades no campo jurídico, com a decisão do delegado responsável pela Operação Taturana, Janderlyer Gomes, em indiciá-lo no processo. As conseqüências para Albuquerque também devem ser sentidas no campo político, com a possibilidade de perda de poder e de influência junto ao governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). GF ///