Política
Opera��o muda rotina de deputados
Patrícia Bastos Repórter A Operação Taturana, deflagrada pela Polícia Federal no dia 6 deste mês, fez muito mais do que revelar um esquema que desviou pelo menos R$ 200 milhões dos cofres da Assembléia Legislativa e balançar as relações de poder entre o Legislativo e o Executivo estadual. A descoberta do esquema foi um baque na vida pessoal dos deputados indiciados, que até bem pouco tempo atrás ostentavam luxos impossíveis para a maioria dos trabalhadores ? desfilando soberbos pelos corredores da Assembléia Legislativa do Estado (ALE), seguidos por seguranças armados e passeando em seus veículos de luxo e à prova de balas. Eles mudaram o jeito quando viram ser apreendidos seus automóveis por conta de indícios de que teriam sido comprados com dinheiro desviado da verba de gabinete, de salários de ?laranjas? ou servidores fantasmas. ### Imóveis serão bloqueados | Davi Soares Repórter Os indiciados nas investigações feitas pela Polícia Federal (PF), que desencadeou a Operação Taturana, tiveram seus símbolos de ostentação de riqueza arrastados de suas casas e apreendidos por determinação da Justiça. A atitude é uma forma de garantir, após o término do processo judicial, o resgate de parte ou a totalidade dos R$ 200 milhões desviados dos cofres da Assembléia Legislativa. Quem teve seu veículo ou bem levado pela PF, deve começar a se preocupar com seu patrimônio, porque durante este fim de semana estão sendo encaminhados pedidos para indisponibilizar os imóveis dos envolvidos em um dos maiores escândalos de Alagoas. ### Carro? Arruma-se outro, diz deputado A maioria dos trabalhadores alagoanos está acostumada a seguir diariamente para o trabalho a pé, de bicicleta ou espremida em ônibus e em vans. Durante a Operação Taturana, esta realidade tão evidente no confronto diário dos interesses de classe provocou, após a apreensão de veículos de luxo dos envolvidos nas investigações, um desejo de justiça em grande parte da população. A ação de apreender os veículos parece ter mutilado algo ?importante? para quem faz questão de impor sua posição social por meio da exibição de carrões. DS ### Grupo queria dominar TC | GILVAN FERREIRA Repórter Relatório da Justiça Federal que serviu de base para a desarticulação da quadrilha acusada de desviar R$ 200 milhões dos cofres da Assembléia Legislativa, que seria comandada pelo presidente da Casa, deputado Antônio Albuquerque (DEM), aponta o interesse do grupo em dominar e influenciar decisões dos outros poderes do Estado, com o objetivo de facilitar as ações criminosas. Um dos principais objetivos do grupo, segundo as investigações da Polícia Federal, seria o controle do Tribunal de Contas de Alagoas, órgão que tem a responsabilidade de fiscalizar as contas da Assembléia Legislativa e dos poderes Executivo estadual e municipais. Isso possibilitaria ?blindar? o Legislativo, além de manter o total controle das ações da Corte de Contas, já que o presidente Antônio Albuquerque queria indicar quatro dos sete conselheiros do TC. O grupo também manteria base de apoio no Ministério Público (MP) e em outras instituições. ### Delegado confirma esquema O delegado Janderlyer Gomes confirmou que durante as investigações da Operação Taturana foram levantados indícios da ação do grupo criminoso junto ao Tribunal de Contas. O delegado questionou a ?fragilidade? do TC na fiscalização das contas da Assembléia Legislativa, que, segundo ele, poderia ter maior controle pela Corte de Contas, como também pelo Ministério Público. ?Eu tenho certeza que os desvios de recursos da Assembléia Legislativa poderiam ser identificados pelo Tribunal de Contas que, infelizmente, mesmo durante todo esse período que a quadrilha vinha agindo ? desde 2001 ?, não detectou nenhuma irregularidade. GF ### ?Tribunal não tem poder de polícia? Apesar do Tribunal de Contas ter sofrido um abalo na reputação por ter aprovado, ano a ano, as contas da Assembléia Legislativa, que segundo a Polícia Federal mascararam um desvio de R$ 40 milhões anuais, em média, nos últimos cinco anos, o presidente da Corte de Contas, Isnaldo Bulhões, contesta que o órgão não tenha atuado com o rigor necessário na fiscalização. ?O Tribunal não tem o poder de polícia, não pode quebrar o sigilo bancário, não pode ter acesso a nenhum documento do Banco Central ou de qualquer outra instituição bancária para fazer uma investigação do porte da Polícia Federal. Nós fiscalizamos justamente com base nos documentos que nos são apresentados?, argumentou o presidente do TC. PB ///