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“Seguran�a p�blica nunca foi tratada como prioridade”

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Da Redação A crescente onda de violência em Alagoas tem levado diversos setores da sociedade a se posicionar sobre o assunto. O que era um Estado tranqüilo e pacato vem se transformando num local onde as pessoas temem sair de suas próprias casas, tornando-se reféns de bandidos. Assaltos a qualquer hora do dia, seqüestros relâmpago, tráfico de drogas, latrocínios e homicídios se tornaram rotineiros e insuportáveis. Na mesma proporção e apoiada na impunidade, a pistolagem se alastra por Alagoas. ### Crime organizado O combate ao crime organizado vai além do papel das polícias, braço armado do Poder Executivo. Tem raízes também nos poderes Judiciário e Legislativo, e no Ministério Público. O País clama por alterações profundas na legislação penal e processual penal, porque, com as leis em vigor, estamos nos rendendo à criminalidade. Precisamos ousar. O direito deve acompanhar os passos da sociedade; ouvi-la, interpretar e traduzir os seus clamores, as suas necessidades. Prioridade A grande verdade é que a segurança pública nunca foi prioridade no Brasil. É preciso que o poder público trate a questão da segurança com mais seriedade. Vislumbro uma saída na aprovação de Emenda Constitucional que disponha sobre a alocação compulsória de recursos orçamentários para a segurança, como já ocorre com a saúde e a educação. Violência O alagoano vive hoje dias de verdadeiro caos na segurança pública. Ninguém se sente seguro nem mesmo dentro de casa ou no local de trabalho. E nem precisa ver os índices: a situação de descontrole na segurança pública virou rotina nas ruas, vitimando gente por toda parte. A violência hoje não poupa ninguém; ela se generalizou. Talvez seja mais sentida na periferia de Maceió do que nos bairros considerados nobres, como Pajuçara ou Ponta Verde, por exemplo, que, bem ou mal, contam com algum policiamento. Mas ela não respeita classe social. As causas da violência O jovem de classe pobre, que não teve oportunidade de estabelecer-se como cidadão, está muito mais vulnerável aos apelos do crime do que os de classe média ou alta, sem dúvida. Sabemos que a falta de oportunidade de acesso à educação, à saúde e ao emprego cria o caldo de cultura propício à eclosão da revolta e da marginalidade. Justiça social Precisamos plantar agora para colher amanhã, a médio e longo prazos. Não podemos alimentar ilusões: o futuro está ameaçado, porque os recursos naturais do País, embora ainda abundantes, caminham para o inevitável esgotamento se as coisas seguirem neste diapasão. Com a população crescendo a um ritmo de 22 por 1.000 a cada ano, onde vamos chegar? Na Europa, a taxa de natalidade não chega à metade da nossa. J Controle de natalidade Outras nações, como a China, já trilharam esse caminho, e estão melhorando. No campo da segurança pública, precisamos empregar instrumentos de prevenção e de repressão. O controle da natalidade insere-se no primeiro grupo: vamos limitar a expansão demográfica para preservar nossos recursos econômico-financeiros e a valorização da mão-de-obra do trabalhador brasileiro. Num horizonte mais imediato, temos que pôr a polícia ostensiva nas ruas, com instruções inequívocas: não pode haver contemporização com o crime. ?Banda podre? A polícia só se tornará uma instituição cidadã, voltada para sua missão institucional, quando promover um verdadeiro expurgo de sua ?banda podre?, formada por policiais corruptos e violentos, que denigrem a imagem de toda a corporação. No mais, deve-se estar sempre atento para as ações dos responsáveis pelos dinheiros públicos. O gênero corrupção, sob a espécie de improbidade administrativa, continua a fazer vítimas entre as pessoas mais indefesas e desprotegidas da coletividade. Operação Taturana A Polícia Federal tem realizado um excelente trabalho no Brasil, investigando crimes e desbaratando gangues. Em Alagoas, já estamos com a terceira operação de vulto. Nosso Estado, em verdade, tem sido um mau exemplo para o País. Reina a impressão de que o crime compensa, sobretudo o crime do ?colarinho branco? e a improbidade administrativa, em virtude de uma histórica impunidade. Grande parte de nossos homens públicos envergonham o alagoano, já desenganado de melhores dias. Mas essa situação tende a mudar. O ponto mais importante da referida operação, entretanto, é o fato de que agora todos sabem qual tem sido a conduta de homens importantes do Estado, especialmente dentro da Assembléia Legislativa. ///

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