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Política

Carlos Bolsonaro é alvo da PF em operação sobre uso irregular da Abin

Foram apreendidos computadores, celulares e uma arma em endereços ligados ao filho do ex-presidente

Por Agência Estado | Edição do dia 30/01/2024 - Matéria atualizada em 30/01/2024 às 04h00

A Polícia Federal (PF) identificou a existência de um “núcleo político” da organização criminosa responsável pela espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, faria parte desse núcleo, de acordo com a investigação.

Na manhã de ontem, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao filho do ex-presidente. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na ação, a PF apreendeu computadores, celulares e uma arma.

Carlos Bolsonaro teve seu telefone celular apreendido pelos investigadores após ter passado a manhã fora da residência onde está em Angra dos Reis (RJ). Ele deixou a residência no início da manhã para um passeio de lancha e jet ski com o pai e outras pessoas. O advogado da família, Fábio Wajngarten, afirmou que eles saíram às 5h para pescar.

Quando a equipe da PF chegou à residência de veraneio em Angra dos Reis, onde Carlos e Jair Bolsonaro estão hospedados, o vereador não estava presente. Por isso, os investigadores ficaram no local aguardando o retorno deles.

Apenas por volta das 12h a PF executou a busca, apreendendo o telefone celular do vereador. Também foram apreendidos três computadores no local.

A PF ainda encontrou aparelhos celulares na residência de Carlos no Rio, que também foi alvo de buscas. Investigadores não confirmaram que houve a apreensão de um computador da Abin nos endereços de Carlos durante a operação.

MENSAGENS

De acordo com o despacho de Moraes, o que colocou Carlos Bolsonaro no centro da investigação foram mensagens identificadas pela PF com um pedido de ajuda realizado pela assessora do vereador a uma assessora do delegado Alexandre Ramagem, então diretor-geral da Abin. Os assessores envolvidos também foram alvos da operação.

“Os elementos de prova colhidos até o momento indicam, de maneira significativa, que a organização criminosa infiltrada na Abin também se valeu de métodos ilegais para a realização de ações clandestinas direcionadas contra pessoas ideologicamente qualificadas como opositoras”, diz Moraes no despacho.

O objetivo da espionagem ilegal seria obter ganhos políticos ao “criar narrativas” para envolver autoridades da oposição, jornalistas e políticos, além de fiscalizar o andamento de investigações de aliados, de acordo com a PF.

A operação é um desdobramento da Operação Vigilância Aproximada, que vasculhou 21 endereços no último dia 25 de janeiro. O principal alvo da ofensiva foi o ex-diretor da Abin na gestão Bolsonaro e hoje deputado federal Alexandre Ramagem.

Ontem, a PF vasculhou endereços no Rio de Janeiro (5), Angra dos Reis (1), Brasília (1), Formosa (GO-1) e Salvador (1). A nova etapa do inquérito mira o “grupo político” vinculado aos servidores da Abin sob suspeita. A PF quer identificar os “principais destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente”.

Além de Carlos Bolsonaro, são citados na investigação: Luciana Paula Garcia da Silva Almeida, assessora de Carlos na Câmara de Vereadores do Rio; Priscila Pereira e Silva, assessora de Alexandre Ramagem (PL-RJ) na Câmara dos Deputados; e Giancarlo Gomes Rodrigues, militar do Exército cedido a Abin.

“PERSEGUIÇÃO”

O ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) negou que Carlos Bolsonaro e os outros filhos políticos tenham pedido informações a Alexandre Ramagem (PL), ex-chefe da Abin.

Em entrevista à CNN Brasil, o ex-chefe do Executivo disse que não recebeu nenhuma informação ou relatório da agência e falou em “perseguição claríssima” contra ele e os filhos.

“Jamais meu filho pediria algo que não é legal para o Ramagem”, afirmou o ex-presidente.

Ele disse ainda que nunca buscou informações “de quem quer que seja”. “Eu gostaria de saber o que foi informado pelo Ramagem de volta. Obviamente, nos órgãos do governo, é comum as pessoas fazerem questionamentos. O que foi perguntado? Se é o andamento de um processo, não tem problema nenhum. Se é interferência, é outra questão. Eu nunca busquei colher dados de quem quer que seja para me defender”, comentou.

Bolsonaro afirmou que o filho prestará depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira (30).

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