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Política

Ferramentas tecnológicas desafiam planejamento das eleições

Novos recursos lançados pelas plataformas digitais aumentam risco de viralização de fake news

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O avanço tecnológico tem desafiado a Justiça Eleitoral no planejamento do pleito municipal deste ano. As bigs techs, como são chamadas as plataformas digitais, criam a todo o instante ferramentas de disseminação em massa que instigam a fiscalização e o controle do conteúdo elaborado e disparado.

Há uma pressão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, para que o Congresso Nacional regulamente o uso das redes sociais, da inteligência artificial e dos aplicativos de mensagem eletrônica para evitar o risco de manipulação ou indução do voto. Ele quer evitar que o brasileiro seja enganado pela produção e circulação de produção falsas na Internet. O Presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP), disse que o tema é prioridade número 1.

Recursos lançados recentemente pelo WhatsApp, por exemplo, ampliam a possibilidade de viralização dos conteúdos. O aplicativo lançou as comunidades e os canais, no ano passado, ampliando o alcance dos grupos, antes limitados a 256 usuários, ao permitir agrupar até 50 deles em uma espécie de “guarda-chuva” para envios a até 5 mil membros, mantendo a criptografia.

Nas comunidades, os administradores podem inserir e remover membros e grupos, assim como criar novos e apagar mensagens com conteúdos abusivos. Além disso, os membros das comunidades também conseguem sair de uma comunidade, denunciar abusos e bloquear contatos. É um recurso que se aproxima, de certo modo, aos canais do Telegram, mas com o diferencial de que, em vez de haver um único canal, há diversos subcanais.

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Os canais do WhatsApp são espaços de transmissão de conteúdo que podem ser acessados na aba de “Atualizações” do aplicativo e seguidos por qualquer usuário interessado. Existem canais de grandes empresas, celebridades, séries, esportes, culinária e muitos outros assuntos.

REGULAMENTAÇÃO

O advogado Davi Marques de Barros, especialista em Direito Eleitoral e membro da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Alagoas, confirma ser o avanço tecnológico um ponto de grande preocupação para os envolvidos no processo eleitoral. Por um lado, a Justiça Eleitoral busca a regulamentação e, por outro, a classe política tenta disseminar propagandas em grupos e conteúdos estratégicos, com persuasão em massa.

Ele lembra que a análise das big techs no contexto eleitoral repercutiu muito após o escândalo das eleições norte-americanas de 2016. O caso da Cambridge Analytica/Facebook eclodiu em 2018 e ficou conhecido como Datagate, quando foi descoberta a utilização de dados de mais de 30 milhões de usuários.

A empresa obteve os dados dos eleitores por meio de aplicativos formulados por terceiros na plataforma Facebook e conseguiu traçar o perfil do eleitorado utilizando questionários em um aplicativo inicialmente denominado “Your digital life”, sua vida digital numa tradução direta.

“Após coletar, processar os dados obtidos e catalogar o perfil daquelas pessoas, era possível enviar propagandas específicas para cada perfil agrupado. Isso causou uma repercussão enorme. Tendo em vista que era uma ferramenta de persuasão extremamente eficaz. Nesse contexto, é possível criar conteúdos específicos para cada grupo de eleitor, enaltecendo determinado candidato e deteriorando a imagem de seu opositor, principalmente, quando esses mecanismos vêm aliados a outras ferramentas, tais como as fake news, o uso de inteligência artificial e deep fakes”, detalhou o especialista.

“Sem o compromisso de checagem, de posse informações refinadas que possibilitam a realização de microtargeting comportamental com altos índices de acerto, fica possível prever e, principalmente, persuadir a escolha do eleitorado. Muitas vezes, essa captura de dados vem disfarçada por questionários que parecem brincadeiras da internet. Do tipo: descubra com que personagem sua personalidade se assemelha, ou ainda, com certas trends em que a pessoa responde com suas preferências de maneira direta”, observa Davi Marques de Barros.

FÁCIL ACESSO

Sócia da agência de marketing digital Yellow Kite, Carina Oiticica diz acreditar que, nas eleições de 2024, há grande possibilidade de aumento das fake news devido ao fácil acesso a recursos de inteligência artificial e das novas funcionalidades de comunidades dentro do WhatsApp.

“O consumidor precisa duvidar e checar tudo o que recebe em grupos de WhatsApp porque a IA pode criar áudios com timbres forjados de políticos e também vídeos deepfake (vídeos realistas fabricados por algoritmos e IA). As big techs estão sendo pressionadas para aumentar o monitoramento e trabalhando para criar políticas para excluir as notícias falsas, mas percebo que as iniciativas não são suficientes para a velocidade das mudanças e evolução da IA”, destacou.

O empresário e presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade - Capítulo Alagoas, Gustavo Moreno, diz que, no Estado, alguns aplicativos são mais utilizados pela classe política do que outros. Há, segundo ele, um alto desempenho do Instagram e pouco uso do Facebook.

“O X, o antigo Twitter, é pouco utilizado. No interior, ele não chega nem a 0,5% de usuários. Em Maceió, talvez, chegue de 2% a 3% no máximo. É uma rede muito irrisória. O WhatsApp é muito usado para se comunicar, mas também para se informar”, ressaltou. “Eu acho que o que vale é o bom usuário e o mau usuário, como tem o bom motorista e o mau motorista. Há em todas as áreas quem usa as coisas pro bem e aquelas que usam pro mal”, completa.

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