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Alagoas vira destaque por retrocesso

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Patrícia Bastos Repórter Educação, saúde e trabalho. Três promessas mais freqüentes dos políticos em período de eleição. Três sonhos ainda muito longe de serem alcançados em Alagoas. Os anos passam e enquanto todos os outros Estados se desenvolvem, em Alagoas parece que os ponteiros do relógio giram ao contrário. Até dez anos atrás, a renda média das famílias alagoanas só não superava a de Pernambuco, no Nordeste. Hoje os indicadores se inverteram, e a renda média é a terceira pior do País, melhor somente que os Estados do Piauí e do Maranhão. A precária realidade socioeconômica de Alagoas se tornou destaque até mesmo fora do Estado. ### Herança maldita ainda longe de ser combatida Não se pode culpar um único governo pelos péssimos indicadores alagoanos, mas pode-se responsabilizar todos os governantes pelos esforços pífios em modificar essa realidade. O economista Cícero Péricles afirma que Alagoas, desde sempre, foi um Estado pobre, que durante quatro séculos teve a economia sedimentada no latifúndio, escravidão e monocultura, que gerou um conjunto de indicadores negativos cuja herança maldita é sentida até hoje. ?A intervenção pública no sentido de enfrentar os grandes déficits sociais e econômicos é muito recente e limitada. Por outro lado, a baixa consciência política e a desorganização social ajudam a manter esse Estado atrasado na área social?, diz. ### Estado é o mais pobre do Brasil, diz instituto Mais do que simples números e gráficos que fazem Alagoas figurar mal diante dos outros Estados, as estimativas socioeconômicas apresentadas por André Urani, estudioso do Iets, retratam uma triste realidade, que entra ano, sai ano, muito pouco se modifica. De acordo com seu estudo, Alagoas disputa com o Maranhão o título de Estado mais pobre do Brasil. A proporção de pessoas pobres é de quase 60%, o dobro da média nacional. A pobreza revela também uma intensa desigualdade social. ### ?Não existe milagre; estamos caminhando? O secretário de Planejamento Sérgio Moreira é conhecedor do estudo do ecnonomista André Urani, assim como o governador Teotonio Vilela Filho, que repete alguns dos números a cada solenidade, mostrando a herança que recebeu das gestões anteriores. Moreira afirma que em 2007 o Estado ?avançou consideravelmente em termo de gestão pública?, mas ao mesmo tempo é realista em relação aos indicadores sociais. ?Não existe milagre, não há como sair do inferno em apenas um ano. Não é possível reverter os indicadores sociais em um ano, as soluções devem ser pensadas a médio e longo prazos?, declarou. ///

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