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Especialistas apontam sinais de desabamento de minas desde 2008

Abel Galindo diz que Braskem não seguiu as boas práticas de engenharia no que diz respeito à segurança das minas

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Especialistas ouvidos ontem pela CPI da Braskem, no Senado, explicaram aos senadores as peculiaridades geológicas e falhas da empresa petroquímica Braskem que levaram aos danos ambientais causados em Maceió pela extração de sal-gema. Os depoentes afirmam que os riscos de afundamento nas minas do mineral eram conhecidos desde os anos 1970 e que as rachaduras nas casas das regiões começaram a surgir em 2008.

As convocações atenderam a requerimentos do relator da CPI, senador Rogério Carvalho (PT-SE). Ele afirmou que, de acordo com o que ouviu, considera a Braskem responsável pelos danos. “Ficou claro que a empresa não seguiu as boas práticas [de engenharia]. (...) Quando as rachaduras começaram a aparecer, o movimento [da empresa] foi de negação de que tivesse algo a ver com a exploração do minério sal-gema. Está claro que não foi feito nada objetivamente no início das rachaduras”.

SEGURANÇA

O engenheiro e geólogo Abel Galindo deu detalhes de como a Braskem operou na exploração de sal-gema. Ele deixou claro que houve uma quebra dos parâmetros técnicos de segurança, como a distância mínima entre as minas.

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“Sem a pressão adequada para o preenchimento das minas, o que ocorreu foi que elas foram cedendo. E como a distância não atendia ao mínimo de 100 metros uma da outra, a quase um quilômetro de profundidade elas foram se ligando uma à outra. E quando entram em colapso, sobem até a superfície. Foi o que aconteceu com a mina 18”, explicou Abel.

O presidente da CPI, senador Omar Azir (PSD-ES), quis saber mais detalhes sobre o impacto disso na superfície. A principal dúvida era sobre o tamanho da área atingida.

Galindo explicou, então, que, com o passar do tempo, como as paredes da mina vão sendo “engolidas”, a área tende a se ampliar, chegando até a mil metros de área afetada. O especialista, que atuou por 37 anos como professor da Ufal, confirmou ainda que as técnicas de segurança já eram conhecidas, porém não foram seguidas pela empresa.

Outro fato relevante é que, em sua avaliação, o início do fenômeno de afundamento do solo pode ter ocorrido uma década antes do primeiro abalo sentido na superfície, em 2018.

“Digo isso porque, já em 2008, existiam casas com boa estrutura apresentando rachaduras. Fui chamado para realizar um serviço de reforço de estrutura e pouco tempo depois as rachaduras voltaram. E era algo estranho, naquele momento, porque o solo na região é de excelente qualidade. Mas, naquela época, não tinha elementos que pudessem apontar que era a ação da mineradora, mesmo desconfiando desse fato”, lembrou Galindo.

O professor repassou aos senadores o projeto original da Braskem que detalhava como deveria ser a operação de retirada do sal-gema. O dado impressionou o relator Rogério Carvalho. “O que está claro é que a empresa não seguiu as boas práticas de segurança”, definiu.

IMPACTO

Os impactos socioeconômicos provocados pela retirada dos moradores das áreas atingidas e das empresas da região também foram apresentados à CPI. A exposição da professora da Ufal Nathallya de Almeida Levino deixou claro que a saída dos moradores para outras áreas, em alguns casos mais distantes, provocou uma mudança no padrão de vida.

“Em 2021 resolvemos, através de um projeto, ampliar nossa pesquisa para os impactos econômicos e ambientais pela mineração em Maceió. Esses impactos afetaram a mobilidade, o setor imobiliário e os comércios formais. Foram identificados 14.535 imóveis para a desocupação e o deslocamento forçado de 55 mil pessoas. Elas foram obrigadas porque a Defesa Civil orientou, devido aos riscos”, lembrou a professora.

No que se refere às empresas, boa parte fechou, já que, por causa da natureza dos negócios, nem sempre nas áreas para onde seus proprietários foram levados foi possível reabri-las.

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