Política
Braskem tentou encobrir responsabilidade com afundamento, diz geólogo
Em depoimento à CPI, Thales Sampaio afirmou que poucos profissionais monitoravam as minas
O quinto dia de apurações da CPI da Braskem, em Brasília, foi marcado pela presença do geólogo Thales Sampaio, ex-servidor do Serviço Geológico do Brasil. Durante pouco mais de duas horas de depoimento, ele confirmou que a empresa foi negligente e imprudente na retirada do sal-gema, além de tentar esconder, por meio de um estudo, os reais motivos do afundamento do solo nos bairros atingidos.
“Foram retirados 750 mil caminhões de sal-gema do subsolo e foi isso que provocou as rachaduras e as subsidências nos bairros atingidos”, afirmou Sampaio.
O especialista, com mais de 40 anos de experiência, foi o chefe da equipe de 52 especialistas que constatou a responsabilidade da mineradora com os abalos sísmicos que provocaram rachaduras em imóveis nos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Mutange, além de parte do Farol.
Durante as investigações sobre o caso, ele disse que um engenheiro da empresa, que não teve o nome revelado, tentou convencê-lo de que tudo estava sob controle. O objetivo era atribuir a ocorrência dos fenômenos a problemas no terreno onde os bairros estavam localizados.
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Por causa dessa revelação, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-ES) vai convocar o responsável para que seja ouvido pela comissão. Para o parlamentar, o importante é deixar claro se houve má fé.
“Precisamos chegar a uma conclusão de quando eles fizeram esse ‘estudo’ e lhe apresentaram por mais de três horas. Queremos saber se houve, ou não, má-fé nisso tudo aí. E o faturamento da empresa, se valia a pena cair 14 mil casas pelo que estava se extraindo ali”, adiantou Aziz.
Todas as informações apresentadas pela empresa foram desmontadas com argumentos científicos, a partir de experimentos de campo e de laboratório. Nos levantamentos, ficou constatado que o solo e as condições hidrológicas da região estavam em perfeito equilíbrio até serem afetadas pela “exploração predatória” da empresa.
“Fragilidade geotécnica no bairro [Pinheiro] não existe. Para isso fizemos 18 sondagens geotécnicas acompanhadas por técnicos do Serviço Geológico do Brasil e fizemos vários ensaios de laboratório. Mostramos categoricamente que não há fragilidade geotécnica no bairro. O problema da hidrogeologia que pode ser por rebaixamento do lençol de água, numa linguagem compreensível, do aquífero. Não havia nenhum problema”, atestou Thales.
Outro detalhe apresentado pelo geólogo é que todas as operações das 35 minas da empresa tinham pouco monitoramento, muito menos a fiscalização de nenhuma autoridade ambiental do Estado de Alagoas. Isso deixou a Braskem totalmente livre para explorar da maneira que lhe fosse conveniente.
Esse dado fez o relator da CPI, senador Rogério Carvalho (PT-SE), afirmar que a empresa agiu de forma negligente, mesmo sendo uma das maiores petroquímicas do mundo.
“Não é possível que a empresa, que trabalhava naquele local, não soubesse as reais condições da mina, já que estamos falando de um problema com registros e sinais de afundamento desde 2004”, concluiu Rogério.