Política
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Barra dos Coqueirais, SE ? Longe da imprensa alagoana e cumprindo uma agenda positiva na última sexta-feira, no 6° Fórum de Governadores Nordestinos, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) foi surpreendido em Aracaju (Sergipe) com perguntas sobre um assunto que ele já não falava há 15 dias: a crise no Poder Legislativo alagoano, com o indiciamento de 12 deputados na Operação Taturana da Polícia Federal, pelo desvio de R$ 280 milhões da folha de pagamento da Assembléia Legislativa do Estado (ALE). ?Preciso acompanhar a entrevista do presidente Lula (PT). Vou falar disso em Alagoas?, disse Vilela ao ser abordado entre governadores nordestinos e o presidente da República. Somente depois de insistir nos questionamentos, a aparente surpresa e o constrangimento do governador foram quebrados por falas apressadas. ### Prudência em meio a cobranças A forma como o governador Teotonio Vilela Filho tem evitado o contato com a imprensa e o desconforto que transparece quando é questionado sobre a crise institucional no Poder Legislativo de Alagoas revelam um comportamento que tem a prudência como principal ingrediente, para lidar com o fato de comandar um Estado com 12 deputados estaduais acusados de envolvimento no crime organizado, decidindo ? ou deixando de decidir ? os destinos do Estado e de seu futuro político. Outra situação que deixa o governador ?em cima do muro? é o fato de que somente dois dos deputados envolvidos na Operação Taturana não são seus aliados. Os outros dez indiciados cobram, desde o início, apoio mais ostensivo de Vilela. ### ?Isso dificulta o pensamento? No mesmo dia em que o procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, apresentou recurso pedindo a suspensão dos mandatos dos deputados indiciados na Operação Taturana, o deputado Joaquim Beltrão (PMDB) defendeu a permanência dos parlamentares e exaltou o respeito às leis e aos próprios deputados. ?Cada cabeça é um mundo, cada deputado procura as suas razões e tudo tem que ser feito dentro da legislação. Não vejo o fato do indiciamento de um deputado como sendo uma justificativa para o afastamento do mandato. Cada um se julga culpado ou inocente na sua consciência e tem o direito de se defender. Acho que esse é o caminho que vai ser percorrido. Nós estamos no Brasil, em uma democracia, sob sua legislação vigente e precisamos ser respeitados?, disse o deputado federal, depois de acender calmamente um cigarro e pensar durante quase um minuto, após a pergunta da reportagem. ### Lula cita o governador para rebater as críticas Aracaju, SE ? O cumprimento rigoroso da relação republicana, estabelecida pelo pacto federativo, tem provocado situações inusitadas como os freqüentes discursos de agradecimento do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) ao maior inimigo de seu partido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A gratidão demonstrada pelo chefe do Executivo de Alagoas, Estado com os piores indicadores sociais do Brasil, e o reconhecimento de Vilela ao ?tratamento republicano? de Lula, fizeram do governador um exemplo utilizado até mesmo para rebater críticas da própria oposição tucana aos programas federais considerados eleitoreiros. Na última semana, Vilela foi citado três vezes em cerimônias oficiais da Presidência da República; a última delas foi na inauguração do Viaduto Jornalista Carvalho Déda, em Aracaju. ### ?O presidente tem sido solidário? Na última sexta-feira, durante a realização do 6° Fórum de Governadores do Nordeste, o presidente Lula participou de todo o circuito de debates, que se prolongou por duas horas e meia, em um hotel do município sergipano de Barra dos Coqueirais. Na ocasião, o governador voltou a agradecer publicamente a Lula e ao seu ministro da Justiça, Tarso Genro. ?O presidente Lula tem dado a Alagoas um tratamento muito especial. Ele tem sido solidário, amigo e republicano em relação às demandas e às questões alagoanas?, destacou Vilela, apesar de já ter sido alertado publicamente pelo presidente, que o tratamento dispensado a Alagoas não é diferenciado. ///