Política
Procurador insiste em ligar Dirceu a propina
São Paulo ? O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, repudiou ontem o que definiu como ?má compreensão dos fatos? por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, que não acolheu requerimento do Ministério Público Federal (MPF) para abertura de investigação sobre suposto esquema de arrecadação de propinas na Prefeitura de Santo André para financiamento de campanhas do PT. Para Marrey, o ministro cometeu ?um equívoco? ao confundir o médico oftalmologista João Francisco Daniel ? autor de denúncias em que é citado o nome do deputado José Dirceu (PT-SP) ? com a testemunha citada em documentos enviados a Brasília. Entre os papéis, está uma cópia do relato de João Francisco ? irmão do prefeito Celso Daniel, morto em janeiro ? que, no entanto, aparece sem identificação. Esse procedimento foi realizado com base no Provimento 32 da Corregedoria-Geral de Justiça do Estado, que dispõe sobre a segurança da testemunha. A identidade do denunciante é preservada até que seja proposta abertura de ação judicial. Jobim estranhou que os termos do depoimento de João Francisco e da ?testemunha 1? seriam idênticos. ?Não há testemunha secreta, o médico e a testemunha que teve identidade mantida em sigilo são a mesma pessoa?, esclareceu Marrey. Os promotores criminais de Santo André que tomaram o depoimento de João Francisco em 24 de maio também protestaram contra a insinuação de que teria havido ?manipulação de provas?. Eles condenaram ?especulações sobre o procedimento? e advertiram que continuarão ?atuando dentro da esfera de suas atribuições, sempre com a mesma isenção e imparcialidade, independentemente de ameaças, insinuações e pressões de qualquer natureza, já que, ao Ministério Público, compete a responsabilização de criminosos, após investigações?.