Tragédia
Forças Armadas do Irã mandam investigar morte de Ebrahim Raisi
Presidente morreu domingo em queda de helicóptero; nova eleição será realizada no dia 28 de junho
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Mohammad Bagheri, ordenou uma investigação sobre a causa do acidente de helicóptero que matou o presidente Ebrahim Raisi e o ministro das Relações Exteriores Hossein Amir-Abdollahian, disse a agência de notícias semioficial Tasnim.
Uma delegação de alto escalão, chefiada por um comandante militar e que inclui especialistas técnicos, irá ao local do acidente, ainda segundo a Tasnim.
Um dia após a morte de Raisi, autoridades do Irã definiram ontem o cronograma do processo eleitoral para eleger um novo presidente no país. Segundo a imprensa oficial iraniana, as eleições presidenciais estão marcadas para o dia 28 de junho, pouco mais de um mês após a morte de Raisi.
O então primeiro-vice-presidente, Mohammad Mokhber, assumiu como presidente do país ontem e vai comandar o Irã de forma interina até as eleições. Mokhber foi nomeado pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que é a figura política mais poderosa do país.
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Ebrahim Raisi era o segundo homem mais importante na hierarquia do Irã e favorito para suceder Khamenei. Raisi havia sido eleito presidente em 2021 e tinha mandato até 2025. A morte do presidente deve desencadear uma briga para ver quem será o sucessor do líder supremo.
Em pronunciamento oficial, Khamenei disse que “a nação iraniana não deve se preocupar” e que “não haverá interrupção nas operações do país”.
ACIDENTE
Segundo a imprensa oficial iraniana, o helicóptero que levava Raisi e outros membros do governo iraniano caiu numa região montanhosa do Irã em razão das más condições climáticas. O presidente e sua equipe voltavam da inauguração de uma barragem em região próxima à fronteira com o Azerbaijão.
A queda da aeronave ocorreu entre as aldeias de Pir Davood e Uzi, na província iraniana de Azerbaijão Oriental, cerca de 600 km a noroeste de Teerã, a capital iraniana.
Além de Raisi, a queda matou também o ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian, o governador da província iraniana do Azerbaijão Oriental, Malek Rahmati, e o líder religioso Hojjatoleslam Al Hashem. Segundo a imprensa oficial, todos a bordo morreram.
A queda do helicóptero ocorreu por volta das 13h (no horário local, 6h no de Brasília), mas a aeronave só foi encontrada cerca de 12 horas depois.
Além das dificuldades de acesso ao local, o tempo ruim dificultava os trabalhos de resgate. O helicóptero foi avistado por integrantes do Crescente Vermelho iraniano, depois que um drone foi enviado pela Turquia com sensores de calor para identificar o local da queda.
Inicialmente, o ministro do Interior iraniano informou que o helicóptero que levava o presidente teria feito uma tentativa de pouso forçado. Mais tarde, a imprensa oficial informou que a aeronave havia sofrido um acidente em razão das más condições climáticas.
CONDOLÊNCIAS
O governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou, nesta segunda-feira, 20, a morte do presidente do Irã, Ebrahim Raisi, que faleceu no domingo, 19, em decorrência de um acidente de helicóptero. Em nota divulgada nesta manhã, a gestão brasileira diz ter recebido “com profunda consternação” a notícia da morte, e se solidarizou com o povo iraniano pelas “irreparáveis perdas”.
“O governo brasileiro recebeu, com profunda consternação, as notícias das mortes do presidente da República Islâmica do Irã, Ebrahim Raisi, do chanceler Hossein Amir Abdollahian e de outras autoridades do país, em decorrência de queda de helicóptero ocorrida ontem (domingo), dia 19, no interior do país”, diz nota divulgada pelo Palácio Itamaraty nesta manhã.