Diplomacia
Noruega, Irlanda e Espanha anunciam reconhecimento do Estado Palestino
Condição já é reconhecida por mais de 140 países e o Vaticano, mas enfrenta resistência dos EUA e Europa
A Noruega, a Irlanda e a Espanha declararam ontem que estão reconhecendo um Estado Palestino em uma ação histórica que atraiu a condenação de Israel e a comemoração dos palestinos. Israel ordenou imediatamente o retorno de seus embaixadores da Noruega e da Irlanda.
Embora vários países tenham reconhecido a condição de Estado Palestino, as decisões anunciadas ontem têm peso em meio ao crescente número de vítimas da ofensiva militar de Israel em Gaza porque a maioria dos países da Europa Ocidental resistiu a reconhecê-lo.
"Os palestinos têm um direito fundamental a um Estado independente", disse Jonas Gahr Store, primeiro-ministro da Noruega, em uma coletiva de imprensa em Oslo, anunciando a decisão, que entrará em vigor na próxima terça-feira, 28. A decisão da Espanha entrará em vigor no mesmo dia, disse Pedro Sánchez em comentários ao Parlamento.
Ele disse que a Espanha foi forçada a agir porque o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não tinha um plano para a paz com os palestinos. "A solução de dois estados está em perigo", disse Sánchez, referindo-se a uma estrutura proposta para estabelecer um Estado da Palestina ao lado de Israel.
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O primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, disse em uma coletiva de imprensa que estava confiante de que outros países se juntariam a eles no reconhecimento da condição de Estado Palestino nas próximas semanas.
Foi uma cascata relâmpago de anúncios. Primeiro foi a Noruega, cujo primeiro-ministro Jonas Gahr Støre disse que "não pode haver paz no Oriente Médio se não houver reconhecimento".
Nas últimas semanas, vários países da União Europeia indicaram que planejam fazer o reconhecimento, argumentando que uma solução de dois Estados é essencial para a paz duradoura na região. A decisão pode gerar um impulso para o reconhecimento de um Estado Palestino por outros países da UE e pode estimular outras medidas nas Nações Unidas, aprofundando o isolamento de Israel.
Mais de 140 países e a Santa Sé reconheceram um Estado Palestino, mas a maioria dos países da Europa Ocidental e os Estados Unidos não o fizeram. Eles afirmam que o reconhecimento deve ser obtido por meio de negociações entre israelenses e palestinos e que, embora apoiem uma solução de dois Estados, medidas unilaterais de terceiros não promoverão esse objetivo.
A Noruega, que não é membro da União Europeia, mas se espelha em seus movimentos, tem sido uma fervorosa defensora de uma solução de dois Estados entre Israel e os palestinos.
"O terror foi cometido pelo Hamas e por grupos militantes que não apoiam a solução de dois Estados e o Estado de Israel", disse o líder do governo norueguês.
A medida ocorre no momento em que as forças israelenses realizaram ataques nas extremidades norte e sul da Faixa de Gaza em maio, causando um novo êxodo de centenas de milhares de pessoas, e restringiram drasticamente o fluxo de ajuda, aumentando o risco de fome.