Sul de Gaza
Israel ataca acampamento em Rafah; bombardeio deixa 45 mortos
Netanyahu reconheceu que ataque foi “erro trágico”; comunidade internacional condenou ação
Pelo menos 45 pessoas morreram durante um ataque de Israel em uma área designada para deslocados em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, no domingo (26), afirmou ontem o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
A área atingida era um acampamento para onde parte da população de Rafah havia acabado de se mudar por conta do início da ofensiva de Israel na cidade, para onde cerca de 1,5 milhão de palestinos fugiram por ataque de Israel no resto do território palestino. O ataque também deixou dezenas de feridos. Tendas de ajuda humanitária no local pegaram fogo após as explosões.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reconheceu como um “erro trágico” o ataque. Em discurso no parlamento israelense, Netanyahu disse, “apesar dos nossos maiores esforços para não prejudicar civis inocentes, ontem à noite houve um erro trágico. Estamos investigando o incidente e obteremos uma conclusão porque esta é a nossa política”.
O Ministério da Saúde de Gaza disse que cerca de metade dos mortos eram mulheres, crianças e idosos. Na segunda-feira, crianças descalças reviraram os escombros enegrecidos enquanto as buscas continuavam. Inicialmente, Israel afirmou que o o alvo do ataque aéreo era um complexo do Hamas em Rafah e que os locais atingidos “eram legítimos sob as leis internacionais”. Dois líderes do grupo terrorista foram mortos na operação, de acordo com o Exército do país.
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O governo israelense afirmou ainda que os alvos foram “definidos com base em informações precisas”, que indicavam que a área era usada pelo grupo terrorista.
A Médicos Sem Fronteiras publicou mensagem de que ao menos 15 mortos em decorrência do ataque foram levadas para um ponto de apoio da organização e que pede por um cessar-fogo imediato em Gaza.
CONDENAÇÃO
Israel enfrentou nova rodada de condenações de parte da comunidade internacional ontem pelos ataques na cidade de Rafah.
A França, um aliado europeu próximo de Israel, disse estar “indignada” com a violência. “Essas operações devem parar. Não existem áreas seguras em Rafah para civis palestinos. Apelo ao pleno respeito pelo direito internacional e a um cessar-fogo imediato”, publicou o presidente Emmanuel Macron no X.
O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, afirmou que bombardeios como o de Rafah terão repercussões duradouras para Israel. “Com esta escolha, Israel está espalhando o ódio, a enraizar o ódio que envolverá os seus filhos e netos. Eu teria preferido outra decisão” disse ele ao SKY TG24.
O Catar, um mediador entre Israel e o Hamas nas tentativas de garantir um cessar-fogo e a libertação de reféns detidos pelo Hamas, disse que os ataques poderiam “complicar” as negociações
Os vizinhos Egito e Jordânia, que fecharam acordos de paz com Israel há décadas, também condenaram os ataques de Rafah. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito descreveu o ataque a Tel al-Sultan como uma “nova e flagrante violação das regras do direito internacional humanitário”. O Ministério das Relações Exteriores da Jordânia chamou a ofensiva de “crime de guerra”.