Projeto imobiliário
MP garante que espigões não serão construídos na área da Lagoa da Anta
Com sua paisagem integrada a hotel, local se tornou um dos mais importantes espaços de convivência da orla
O último resquício de lagoa saudável no litoral de Maceió vai se manter vivo. O projeto imobiliário multimilionário com espigões de alto padrão, que seria erguido na Lagoa da Anta, não deve sair do papel. Após as empresas que estavam envolvidas recuarem da ofensiva contra o patrimônio ambiental de Alagoas, o Ministério Público Estadual (MPE) arquivou a diligência que realizava.
À Gazeta, o promotor Jorge Dória foi enfático ao afirmar que segue vigilante para caso a possibilidade ressurja e que não permitirá que a paisagem característica da cidade seja desconfigurada.
“Esse procedimento foi arquivado em função da inexistência de medidas efetivas de transformação da área. Caso esse assunto volte à tona, ou de alguma forma venha se falar, ou se alguma ação efetiva venha a ser tomada nesse sentido, o Ministério Público tomará as providências no sentido de proteger aquela paisagem, uma vez que seria inadequado e irregular [um projeto imobiliário]”, explicou.
No fim do ano passado, a construtora Record e a Prefeitura de Maceió celebraram o acordo, que permitiria a derrubada do Hotel Jatiúca e a construção de cinco espigões à beira-mar de Maceió.
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O órgão ministerial pediu explicações, uma vez que os danos ambientais e urbanísticos do novo projeto seriam difíceis de mensurar e com danos incalculáveis para a lagoa da anta e toda diversidade, além da restrição no fluxo de pessoas que hoje coabitam harmonicamente com a região.
A Lagoa da Anta, com sua paisagem integrada ao hotel, tornou-se uma das mais importantes áreas de convivência da orla da Jatiúca. Seja pela tranquilidade, seja pelo equilíbrio da natureza, o local foi projetado cuidadosamente pela equipe do paisagista Roberto Bourle Marx.
Em qualquer hora ou dia da semana, o ponto turístico apresenta um grande fluxo de pessoas, tanto em caminhada quanto corrida e passeio de bicicleta. Algumas pessoas somente pararam para apreciar o fim de tarde de frente para a lagoa.
“Não deveriam mexer nunca nisso aqui. É um bom ponto turístico, seguro, embora com um pouco de lixo nos arredores. A lagoa é bem cuidada. Se tivéssemos um residencial aqui, quem sabe se não se tornaria mais um riacho Salgadinho?”, questionou a guia de turismo Rebeca Rocha, inclusive, revelou o conforto em saber que o local continuará sendo preservado e utilizado por todos.
O autônomo Derivaldo Bezerra também estava aproveitando o momento para fazer uma atividade física. Ele disse que passa todos os dias de bicicleta pela região, para ‘impedir que a barriga fique maior do que já está’.
“Nossa cidade não pode perder um espaço desses. É um local de convivência. As pessoas se encontram, passam o fim de tarde, fazem exercícios. Se porventura a região mudar e o hotel se tornar um residencial, quem perde somos nós”, afirma.