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Litoral Norte

Tráfico se vale do turismo e especulação imobiliária para avançar

PM diz que traficantes tentam dificultar ação policial escondendo armas e drogas nas matas da região

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Cocaína para turista, maconha para nativos e trabalhadores da região. Essa, segundo a polícia, é a tônica do tráfico de drogas na Rota Ecológica dos Milagres, no Litoral Norte de Alagoas, conhecida principalmente pelo município de São Miguel dos Milagres, que ganhou projeção internacional nos últimos anos pelas belas praias.

O coronel Marlon Araújo, comandante da Região Norte e Zona da Mata, explica que o tráfico tira proveito justamente dos dois maiores propulsores da economia local para também se expandir: o turismo e a especulação imobiliária. Araújo explica que, infelizmente, muitos dos visitantes que vão à cidade movimentam o tráfico, principalmente de cocaína.

A outra frente de atuação dos criminosos são as pessoas que se deslocam à região para trabalhar. “Muita gente vem de Rio Largo, do Benedito Bentes, principalmente para trabalhar nas obras de construção civil na região e findam comprando e consumindo por aqui”, conta o comandante.

Araújo ressalta que a polícia não está inerte à situação, que, segundo ele, é difícil. “Tem muita região de mata nessas localidades, e é lá onde eles se escondem, escondem armas e drogas, e não é fácil localizar esses esconderijos”, elenca. O coronel lembra que na última operação na região fechou acampamentos em área de mata e apreendeu armas de grosso calibre.

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Na última sexta-feira (9), após a prisão de um homem identificado como João Pedro Teixeira da Silva, de 38 anos, apontado como gerente do tráfico no município e ligado à facção criminosa Comando Vermelho, criminosos interceptaram a viatura que o levava à delegacia e atiraram contra os policiais. Um militar foi atingido na perna.

A situação evidencia a escalada da criminalidade na região. Conforme a Gazeta noticiou no último dia 13 de junho, a facção criminosa Comando Vermelho detém a hegemonia do tráfico de drogas em todo o Litoral Norte alagoano, da cidade de Paripueira até Maragogi.

No caso da prisão de João Pedro, que é conhecido como João da Michele, a polícia já tinha identificado áudios compartilhados em redes sociais em que ele ordena que criminosos da região atirem contra os policiais caso os encontrem.

Marlon Araújo explica que os policiais, ao encontrarem João Paulo na rua, fizeram a abordagem e o prenderam por estar, de forma ilegal, com uma arma de fogo. Foi então que os liderados atenderam, de fato, à ordem para atirar contra a polícia.

A dinâmica do tráfico na Rota Ecológica dos Milagres remonta à situação mostrada pela Gazeta na edição de 13 de junho. Isso porque, de acordo com fontes da polícia, o líder maior do tráfico na região é um homem conhecido como “Fubinha”, que estaria escondido em Pernambuco, mas continua dando ordens, financiando e lucrando com a venda de drogas na região.

Foi justamente a fuga dos líderes do Comando Vermelho em Alagoas para o Rio de Janeiro que a Gazeta mostrou. Nesse caso, Fubinha, que é da mesma facção, escolheu Pernambuco, que faz divisa com Alagoas. A fuga desses criminosos é explicada pela Segurança de Alagoas como uma tentativa de fugir das investidas mais frequentes da polícia alagoana. Com isso, ele lideram a distância e se valem até de reuniões presenciais para passar ordens para gerentes de bocas de fumo.

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