Eleições
Apesar do visual excêntrico, Camelinho diz que política é ‘seriíssima’
Candidato pelo Agir à Prefeitura de Maceió crava que estará no 2º turno e aponta JHC como adversário
Embora apresente uma imagem de candidato folclórico na corrida eleitoral para a Prefeitura de Maceió, por se vestir como um sheik árabe, Rony Camelinho faz questão de ressaltar que política é coisa séria. “Eu falo sério e as pessoas acham que estou brincando. Política é coisa seriíssima”, afirma o candidato do Agir, em entrevista à Gazeta. Ele se coloca no segundo turno e cravou o prefeito JHC como seu adversário.
O candidato nega ser “laranja” e, nessa caminhada rumo ao posto de chefe do Executivo municipal, o irreverente postulante se coloca como o representante das pessoas com deficiência, espectro autista e síndrome de Down.
De origem simples, natural do município de Ibateguara, Rony Camelinho, de 55 anos, chama-se, na verdade, Ronivaldo Lourenço da Silva. Casado e pai de três filhas, ele tem o ensino médio completo e trabalha como administrador. Aos quatro anos, foi acometido com poliomielite, deixando-o com deficiência física.
A sequela da doença lhe trouxe outros desafios e, principalmente, um estigma: o preconceito. “A deficiência está na cabeça das pessoas. O preconceito é uma coisa natural do ser humano. Todo dia mato um leão no olhar das pessoas, mas não me faço de vítima. Não é fácil, mas sou um vencedor diante das dificuldades que superei e ainda supero”, ressalta.
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Camelinho negou carregar sentimento de vitimismo e, para provar isso, contou que tem uma vida social ativa e afirmou que joga futebol, pratica natação e corre em vaquejadas.
Ele disse que veio a Maceió em 1985 para realizar sonhos e vencer na vida. “Eu tinha vários sonhos, como o de melhorar de situação e, por isso, vim para a capital, para estudar, trabalhar e formar uma família. Aqui, sofri bastante, mas consegui superar as dificuldades”, ressaltou. E entre esses sonhos, estava o de ser político para defender as causas dos deficientes físicos. Em 2022, concorreu a deputado federal e obteve 548 votos. “Nenhum voto foi comprado”, destacou.
Filiado ao partido Agir, o candidato se recusou a tratar dos programas que tem para as áreas de educação, saúde, segurança, trânsito, empregabilidade, habitação, lazer. “Não quero fazer discurso repetitivo como fazem os outros. Não vou ser demagogo. Minha preocupação é com as pessoas com espectro autista, deficientes físicos, síndrome de Down”.
Quanto à avaliação sobre inclusão social em Maceió e como vê as políticas públicas em favor das pessoas deficiência, ele disse que há ações sendo feitas pela Prefeitura Municipal, porém são necessárias mais. “Tem muita coisa que é real, como a revitalização do Salgadinho. Tem a nossa orla, que está bonita e atraindo turistas, aquecendo a economia. Tem muita coisa boa, mas ainda faltam calçadas com acessibilidade, centros especializados para pessoas com deficiência, espectro autista e síndrome de Down. Esses problemas ocorrem há mais de trinta anos. É necessário entender que esses problemas não se resolvem apenas em quatro anos”, afirmou.