Análise
Retorno de Trump pode impactar relações com Brasil em várias áreas
Para especialistas, exportações, questões climáticas e guerras são pontos sensíveis entre os dois países
Proteção à democracia, defesa do meio ambiente, relação com a China e posicionamento sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio são alguns dos temas que podem impactar a relação Brasil-Estados Unidos com a vitória de Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos.
Para analisar as perspectivas para as relações diplomáticas entre os dois países, que, neste ano, completaram 200 anos, o g1 conversou com Tanguy Baghdadi, professor de relações internacionais e fundador do podcast Petit Journal, e com Hussein Kalout, cientista político e ex-secretário de Ações Estratégicas do governo de Michel Temer.
Levando em consideração o último mandato de Donald Trump, Tanguy Baghdadi entende que o estilo de fazer política externa do ex-presidente americano é o de se aproximar de países e líderes que “aceitem sua liderança”, mesmo que não sejam da mesma ala política.
“Não há uma garantia de que a relação seria ruim, até porque, o Lula também, em diversos momentos, já buscou a aproximação com líderes que não eram exatamente de esquerda. Então, há uma certa facilidade dos dois em promover esse diálogo”, analisa.
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Para Baghdadi, a comunicação entre o atual presidente Lula e Trump seria de uma forma mais protocolar, mantendo acordos existentes entre os dois países.
APOIO POLÍTICO
Com a volta de Trump à presidência dos EUA, o Brasil pode ter que lidar com uma mudança em alguns segmentos, avaliam os especialistas. Apesar de o eixo comercial de investimentos ser mantido, o que diz respeito ao meio ambiente pode mudar, entende Kalout.
O ex-secretário de Ações Estratégicas do governo Temer também acredita que o Brasil pode ser empurrado a buscar um alinhamento quase que automático com a China.
Outro ponto sensível nesta relação seria a Venezuela. Husseim Kalout explica que, por mais que o governo brasileiro ainda não tenha reconhecido o resultado do pleito, Trump, por sua vez, é muito mais enfático que Joe Biden e Kamala Harris ao criticar o governo de Nicolás Maduro.
POSICIONAMENTO INTERNACIONAL
Husseim Kalout ressalta que Brasil e Estados Unidos são considerados países parceiros, mas não aliados. Os dois países têm perfis muito diferentes no que diz respeito à política externa, comenta Tanguy. Com isso, posicionamentos quanto à guerra na Ucrânia e em Israel e outros países do Oriente Médio podem ser bastante distintos.
ECONOMIA
Trump tem uma agenda de protecionismo econômico e estímulo a combustíveis fósseis e a pautas conservadoras. Em seu plano de governo, o republicano promete aumentar impostos sobre importados e estimular uso de petróleo, gás e carvão. Também afirma que vai “proteger a liberdade de expressão online”, restringir direitos de transexuais e impor um “plano agressivo” contra a entrada de imigrantes.
Logo no início de seu primeiro mandato, em 2017, Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, um pacto global para conter a emissão de gases do efeito estufa. Biden recolocou o país no tratado. Trump pode abandonar o acordo novamente ou simplesmente não cumprir suas metas.