Imigração
Plano de deportação de Trump pode expulsar 230 mil brasileiros
Presidente eleito dos EUA prometeu a “maior operação na história americana”
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu a deportação em massa de estrangeiros que residem ilegalmente no país durante sua campanha. Dessa forma, se o republicano cumprir sua promessa, estima-se que 230 mil brasileiros sejam expulsos dos EUA , segundo um levantamento do Pew Research Center. O número é referente ao ano de 2022, que inclui um aumento de 30 mil em relação a 2021.
A “maior operação de deportação doméstica na história americana” prometida por Trump afetaria cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais, segundo estimativa da revista Time. A medida pode custar ao governo mais de US$ 967,9 bilhões (R$ 5,5 trilhões), conforme o relatório do Conselho Americano de Imigração.
Para isso, o governo de Trump pode encurtar os processos de deportação, realizando as expulsões sem a realização de audiências, exigidas por lei atualmente.
O republicano também citou, em sua campanha, o uso das tropas militares para expulsar imigrantes sem documentos, além da criação de uma “muralha militar” na fronteira dos Estados Unidos com o México e a construção de campos de detenção para esses imigrantes.
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O grande objetivo da deportação em massa, segundo Trump, é melhorar os salários dos norte-americanos com a expulsão dos imigrantes do mercado de trabalho. Vale ressaltar que, atualmente, os imigrantes ilegais atuam em áreas em que a mão de obra é mais escassa no país, como construção civil, empregados domésticos, faxineiras, babás, cuidadores, zeladores e motoristas de aplicativos.
Ao longo dos quatro anos em que Trump assumiu a Casa Branca (2017 - 2021), a imigração legal no país despencou 63%, segundo um estudo do Cato Institute. No período, houve uma queda de cerca de 410 mil emissões de green cards e o número de vistos temporários foi reduzido em quase 12 milhões.
Profissionais estrangeiros qualificados que aguardavam vistos de trabalho também foram afetados: Trump tentou aumentar o preço do pedido de cidadania (hoje de US$ 710), além de dificultar o questionário exigido de candidatos. Nos dois casos, não teve sucesso.
O Brasil tem um grande vínculo com os Estados Unidos quando se trata de imigração: ao todo, estima-se que os EUA abriguem 1,9 milhões de brasileiros, o maior número de migrantes do país, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores. Além disso, em 2023, o Brasil foi o 10º país que mais recebeu green cards, um documento que comprova a residência permanente e o acesso a alguns direitos no país norte-americano.
EQUIPE
Trump informou ontem que Tom Homan, seu ex-diretor interino de Imigração e Fiscalização Aduaneira, comandará o controle das fronteiras em sua próxima administração.
Além de supervisionar as fronteiras sul e norte e “a segurança marítima e aérea”, Trump disse que Homan “será responsável por toda a deportação de estrangeiros ilegais de volta ao seu país de origem”, uma parte central da sua agenda.
Trump anunciou ainda a nomeação da deputada Elise Stefanik para assumir a representação do país na Organização das Nações Unidas (ONU). Atualmente, Stefanik ocupa uma posição de destaque no Partido Republicano na Câmara dos Deputados.