Perspectivas
Arthur Lira admite pela 1ª vez a possibilidade de disputar o Senado
Deputado diz que estará à disposição para mudar de Casa se a conjuntura política o favorecer
Prestes a encerrar o segundo mandato como Presidente da Câmara Federal, o deputado Arthur Lira (PP/AL) admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de disputar o Senado Federal nas eleições de 2026. Na quarta-feira, ele participou do evento “Fórum JOTA - Brasil em 10 anos” e revelou que estará à disposição para tentar mudar de casa legislativa se a conjuntura política favorecê-lo.
“O que vai ser de 2026 dependerá muito do que acontecer em 2025 e em 2026. Se eu tiver oportunidade de o meu Estado entender que o Arthur seria importante agora no Senado, eu irei. Se isso não acontecer, boto aí outro nome à prova e a gente vai para as discussões”, disse o deputado, quando questionado sobre os caminhos que percorrerá até o próximo pleito.
Ainda fazendo projeções, o Presidente da Câmara disse que visualiza o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como o candidato à Presidência da República da direita em 2026, apesar da inelegibilidade.
“Nós temos, à direita, ao meu ver, Bolsonaro candidato. Não vejo outro candidato que não seja ele mesmo. Se vai ter inelegibilidade ou não, isso a gente vai saber no período de eleição, mas o presidente Lula já disputou a eleição assim e foi substituído. Isso pode acontecer”, avaliou.
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Arthur Lira disse ainda que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece como um candidato “fortíssimo” à reeleição na próxima eleição, a depender do desempenho como chefe do Executivo nos próximos anos.
“Falando de 2026, nós temos um presidente sentado na cadeira, que todos nós sabemos da sua capacidade de articulação. Se entregar o Brasil bem nos próximos anos, é um candidato fortíssimo à reeleição”, afirmou Lira.
Ele afirmou que lida bem com o prazo de validade, ao referir-se ao tempo programado para estar à frente da mesa diretora da Câmara, que encerra no dia 1º de fevereiro de 2025. “Não tenho problema em voltar ao plenário da casa. Não tenho essa vaidade. A gente tem que trabalhar todos os dias, como eu trabalho. Durmo pouco e acordo cedo, com uma rotina assim, desde 2011, sem gerar expectativas. Quando estou para decidir alguma coisa, eu simplesmente não falo”, completou.
Lira avisou que não costuma fazer política criando expectativas para não errar. E deu esta declaração ao contextualizar a dificuldade que disse ter enfrentado no processo de escolha de seu candidato à sucessão na presidência do Parlamento. Ele comentou que sofreu bastante até tomar a decisão, visando trabalhar em um ambiente administrativo tranquilo.
Também expressou preocupação com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a liberação das emendas parlamentares. O parecer, segundo ele, gerou “intranquilidade legislativa”, já que remodelou a decisão do Congresso e que foi ratificada com a sanção presidencial.
“O Congresso aprovou uma lei, sancionada pelo Presidente da República, que garante transparência e rastreabilidade. Quem cometer irregularidades será fiscalizado pelos órgãos de controle. No entanto, uma nova decisão que altera o que foi votado causa grande intranquilidade legislativa”, afirmou Lira.
“Você nunca vai ver um deputado condenando alguém no tribunal, como você não deve ver nunca um juiz legislando, ou um presidente da República legislando, como não vai ver um deputado ou um senador lançando programas, executando obras. É para isso que existem os limites constitucionais”, alfinetou.