Política
Oficiais criticam posi��o do governo em compra de ca�as
Brasília ? Os oficiais do Comando da Aeronáutica envolvidos na concorrência para compra dos novos caças supersônicos da Força Aérea Brasileira (FAB) receberam com extremo desagrado a informação, divulgada ontem, de que o governo poderá priorizar a compensação comercial ? o pacote de off-set ? em prejuízo do critério técnico na escolha dos jatos. De acordo com um militar, ?a licitação é tecnicamente perfeita, talvez a melhor realizada em muito tempo no País, e contempla o processo de recuperação financeira de forma objetiva?. Ao comentar ontem o interesse do governo brasileiro em ganhar algo mais nas relações comerciais, uma fonte do Palácio do Planalto ponderou que não há interesse em atropelar os critérios técnicos: ?Ninguém é louco de trocar um avião tecnologicamente superior apenas pelo fato de o país (que vendeu os aparelhos) se comprometer em comprar mais carne de porco?. Segundo técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o edital de licitação não deverá ter modificações nem a concorrência precisará ser suspensa ou refeita. A sugestão para que a contrapartida em produtos brasileiros de exportação passasse a ser determinante no processo partiu do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, e conta com a simpatia do presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo revelou ontem um assessor de Amaral. (Mais tarde, esse funcionário pediria que a informação não fosse divulgada para evitar um ?clima de mal-estar?). O negócio inicial, de pouco mais de US$ 700 milhões, cobre uma encomenda de 12 a 24 aviões, mas pode chegar, rapidamente, a US$ 1 bilhão por meio dos contratos adicionais formalizados nos primeiros três anos após a assinatura do acordo. O programa FXBR prevê a aquisição de 120 caças até 2010.