Entrevista
Lula promete agir com reciprocidade caso Trump taxe produtos brasileir
Em conversa com jornalistas, Presidente falou sobre inflação, juros, reforma ministerial e popularidade
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ontem que se os Estados Unidos taxarem o Brasil, vai haver "reciprocidade". "Se ele [Trump] taxar os produtos brasileiros, haverá reciprocidade no Brasil em taxar os produtos que são importados dos EUA", afirmou.
"Ele só tem que respeitar a soberania dos outros países. Ele foi eleito para governar EUA. Outros presidentes eleitos para governar com outros países", prosseguiu.
Ainda no tema, Lula afirmou que não tem previsão de conversar diretamente com Donald Trump – que foi eleito em novembro de 2024 e tomou posse no último dia 20.
"Não há nenhum interesse agora, acho que nem meu, nem dele. Essas conversas só acontecem quando você tem interesse, quando tem alguma coisa para tratar. Eu mandei uma carta para o governo americano dando os parabéns pela vitória, e é isso", disse Lula.
Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe
Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais
Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca
Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió
Davi Davino confirma convite para ser vice, mas rejeita: "Sou candidato ao Senado"
"Se a gente não tiver oportunidade de se encontrar, porque ele não participa dos Brics... Se eu for convidado para o G7, a gente tem chance de se encontrar. Se não, a gente vai se encontrar na ONU – se ele não desistir da ONU também", ironizou.
"Obviamente, eu acho que esse negócio de descumprir o Acordo de Paris, que não vai dar dinheiro à OMS é uma regressão à civilização humana", completou.
Ontem, Trump, confirmou tarifas de 25% para os produtos provenientes do México e do Canadá, que começam a vigorar já neste sábado, 1º de fevereiro. Ele também mencionou que os EUA estão em processo de aplicar tarifas à China
CONVERSA
As declarações do Presidente Lula ocorreram durante uma conversa com jornalistas, no Palácio do Planalto, em Brasília Em pé, fazendo piadas e respondendo a perguntas fora do protocolo, Lula falou sobre a crise na popularidade do governo, a inflação acima do esperado nos alimentos e nos combustíveis, os rumores de reforma ministerial.
ESTADO DE SAÚDE
Lula disse que se sente "100% recuperado" e "100% pronto para todas as lutas" do próximo ano. Ele bateu a cabeça em uma queda no Palácio da Alvorada em outubro e, dois meses depois, teve de passar por cirurgia após um novo sangramento.
"Hoje, estou aqui 100% recuperado. 100% preparado para todas as lutas que vierem a partir de agora. Já voltei a fazer ginástica, a andar, a fazer musculação. Já posso fazer a viagem que eu quiser para o país que eu quiser, a quantidade de quilômetros que eu quiser", disse Lula.
INFLAÇÃO
Lula negou que tenha "autorizado" um reajuste do óleo diesel. Segundo ele, a decisão cabe à Petrobras. "Eu não autorizei o aumento do diesel. Porque desde o meu primeiro mandato, eu aprendi que quem autoriza o aumento do petróleo e dos derivados de petróleo é a Petrobras, e não o presidente da República", disse.
Questionado sobre alimentos, afirmou que não fará "bravata" e nem adotará medidas extremas no tema – para evitar o surgimento de consequências como o mercado paralelo dos produtos.
"Eu não tomarei nenhuma medida daquelas que sejam 'bravata'. Eu não farei cota [de compras], não colocarei helicóptero para viajar fazenda e prender boi, como foi feito no Plano Cruzado. Não vou estabelecer nada que possa significar o surgimento de mercado paralelo", disse Lula.
BC, GALÍPOLO E JUROS
Lula minimizou o fato de a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) presidida por Gabriel Galípolo ter mantido o ritmo de alta dos juros da economia.
Na quarta (29), por decisão unânime, o Copom elevou a taxa Selic em um ponto percentual. Foi a quarta alta seguida, e a segunda nesse ritmo intenso. Com ela, a Selic chegou a 13,25%.
"O presidente do Banco Central não pode dar um cavalo de pau num mar revolto de uma hora para outra. Já estava praticamente demarcado a necessidade da subida de juros, pelo outro presidente [Roberto Campos Neto]. E o Galípolo fez aquilo que ele entendeu que deveria fazer", diz Lula.
REFORMA MINISTERIAL
Lula confirmou que estuda uma reforma ministerial, mas não quis adiantar quais nomes podem estar envolvidos.
"Trocar ministro é uma coisa da alçada do presidente. No Brasil a gente tem hábito de que toma posse, e um ano depois a imprensa fala em reforma", afirmou Lula.