Denúncia
Supremo prevê julgar Bolsonaro por golpe ainda em 2025
Intenção é evitar contaminação do processo eleitoral; Moraes derruba sigilo do acordo de delação premiada de Mauro Cid
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos pelo g1 afirmam que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado deve ocorrer ainda em 2025. O objetivo é evitar contaminar o processo eleitoral.
Para integrantes da Corte, não há dúvidas sobre o papel central do ex-presidente na trama golpista. A denúncia aponta que Bolsonaro editou a versão final de um decreto golpista, pressionou militares para aderirem a trama e até sabia e concordou com plano para matar o presidente Lula (PT).
Caso a denúncia seja aceita pelo STF, o ex-presidente se tornará réu e responderá a um processo penal no Supremo.
No entorno de Bolsonaro, o núcleo político avalia que a estratégia é “esticar a corda”, usando o processo como forma de mobilização política e mantendo o discurso de que ele disputará a presidência em 2026, embora esteja inelegível. A defesa do ex-presidente manterá esforços concentrados na tentativa de anular a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Empresário é executado com seis tiros ao sair de casa
Homem é executado na frente da esposa e da filha de três meses em Santana do Ipanema
Meu Pet: divulgue fotos de animais desaparecidos em Alagoas
Moradores do Trapiche da Barra reclamam de lixo na rua
Homem é preso suspeito de matar ex-companheira em Igreja Nova
Para sustentar a narrativa de uma suposta perseguição política, Bolsonaro e aliados seguirão reforçando a tese de que, mesmo que tivesse havido uma tentativa de golpe bem sucedida, Bolsonaro não teria sido beneficiado, segundo disse o advogado Paulo Bueno — que defende Bolsonaro no inquérito do golpe.
Se a denúncia for aceita, Bolsonaro será julgado pela 1ª Turma do STF, formada por Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Zanin presidirá o colegiado até setembro, quando será substituído por Dino.
A defesa de Bolsonaro manifestou "indignação e estarrecimento" com a denúncia apresentada pela PGR e disse que o ex-presidente nunca compactuou com qualquer tentativa de romper a ordem democrática no país.
SIGILO
Ontem o ministro Alexandre de Moraes derrubou ontem o sigilo do acordo de delação premiada firmado em 2024 pela Polícia Federal com o tenente-coronel Mauro Barbosa Cid, que atuou como ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na mesma decisão, Moraes abriu prazo de 15 dias para que os 34 denunciados pela Procuradoria-Geral da República na terça-feira (18) apresentem suas defesas por escrito.
Mauro Cid disse à Polícia Federal (PF) em acordo de colaboração premiada que a chamada "minuta do golpe" chegou a ser apresentada pelo ex-presidente aos comandantes das Forças Armadas.
Segundo Cid, Bolsonaro mostrou apenas os fundamentos a serem implementados, sem mostrar as ordens de prisão do ministro Alexandre de Moraes e a realização de novas eleições.
Cid disse que o ex-presidente "queria pressionar as Forças Armadas para saber o que estavam achando da conjuntura". Ele disse que Garnier era favorável a uma intervenção militar, enquanto Batista Júnior era "terminantemente contra qualquer tentativa de golpe de Estado", e Freire Gomes "um meio-termo dos outros dois generais".
O tenente-coronel também disse à PF que havia três grupos orbitando Bolsonaro na época. Um deles, mais conservador, aconselhava o presidente a "mandar o povo para casa e colocar-se como líder da oposição".
Outro grupo, classificado por Cid como "mais moderado", entendia que nada poderia ser feito diante do resultado das eleições e era "totalmente contra" um novo regime militar.
O terceiro grupo foi denominado por Cid como "radicais", e era composto por pessoas que queriam achar uma fraude nas urnas. Entre os mais radicais, a favor de um braço armado e de um golpe de Estado, Cid citou o ex-assessor internacional de Bolsonaro, Filipe Martins.
Segundo Cid, foi Martins quem apresentou a Bolsonaro a minuta do golpe, um "decreto que determinava diversas ordens que prendia todo mundo", como os ministros do Supremo Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), então na presidência do Congresso. Segundo o delator, Bolsonaro leu o documento e manteve apenas a ordem de prisão de Moraes.