Política
Elei��o mobiliza batalh�o em Alagoas
Domingo, 5 de outubro de 2008. Em Alagoas, 1.976.838 eleitores vão despertar com a mesma missão: escolher os 102 prefeitos e os cerca de 930 vereadores que vão administrar e fiscalizar o dinheiro público até 2012. Para que nada saia errado, 24.960 pessoas foram convocadas para trabalhar nas eleições. Receberam em casa cartas da Justiça Eleitoral solicitando a participação, além do voto. Só mesários somam, em todo o Estado, 23 mil. Além deles, em torno de 1.100 profissionais, desde técnicos em informática até eletricistas e taxistas, foram contratados, tanto para a fase dos preparativos como para servir no dia do pleito. Contando com os 400 servidores do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, o batalhão de gente mobilizado para fazer valer a democracia ?na terra dos marechais? passa de 26 mil alagoanos. Sem contar com os policiais militares. Eles serão quase 6 mil nas ruas. ### Trabalho voluntário divide opiniões Em Maceió, 504.642 eleitores escolherão o prefeito e os 21 vereadores da capital. Em cada seção, quatro pessoas vão chegar ainda mais cedo, às 7 horas. São os mesários. Há quem reclame quando a convocação da Justiça Eleitoral chega em casa semanas antes do pleito. O trabalho não é remunerado. Os mesários recebem alimentação e dois dias de folga no trabalho, ou bônus de horas no histórico escolar. Eles são obrigados a permanecer nas seções até que o último eleitor vote, sendo responsáveis ainda por desligar e embalar a urna. A tarefa é árdua, mas há também quem se sinta lisonjeado com a missão. ### Convocados cobram remuneração Funcionários das escolas públicas e privadas que vão servir de locais de votação também não escaparam da convocação da Justiça Eleitoral. Como os mesários, há quem goste e há quem reprove o trabalho gratuito que serão obrigados a realizar no dia 5 de outubro. Eles são os auxiliares de sala e os supervisores de eleição. Vão atuar como anfitriões, tanto para os funcionários do TRE, como para os eletricistas, os técnicos de urna, policiais e mesários. Professor de Educação Física, Robson Soares, 42, estava na reunião, na última quarta, contrariado, no Fórum eleitoral de Maceió, no Farol. Pela segunda vez ele foi convocado e não gostou quando a carta chegou na escola onde trabalha, no Jacintinho. ?As pessoas deveriam se apresentar espontaneamente?, afirmou, criticando por não haver uma ajuda de custo em dinheiro. ### Atenções se voltam para calendário Na reta final das eleições, eleitores, candidatos e suas assessorias jurídicas, além da própria Justiça Eleitoral, redobram suas atenções para os prazos do calendário eleitoral. A partir ontem, por exemplo, nenhum candidato poderá ser detido pela polícia, a não ser em caso de flagrante delito. No caso do eleitor, a mesma decisão vigora a partir do dia 30 de setembro e vai até 48 horas após o encerramento da eleição. O quadro de percursos dos serviços de transportes de eleitores, publicado até o dia de ontem, poderá ser questionado até a terça-feira (23). O juízes precisam julgar as reclamações até o fim desta semana. ### Mais de 6 mil PMs farão a segurança nos 102 municípios Na região metropolitana de Maceió, 2.800 policiais militares serão convocados para atuar no próximo dia 5 de outubro. Além da capital, eles vão se dividir para atender mais nove cidades: Rio Largo, Marechal Deodoro, Pilar, Barra de São Miguel, Paripueira, Santa Luzia do Norte, Coqueiro Seco, Satuba e Messias. Outros 3.500 policiais irão fazer a segurança nos demais 92 municípios do interior alagoano. Serão mais de 6 mil ao todo. O comandante do Policiamento da Capital, coronel Dário César, explicou que o contingente ainda pode aumentar. ?Estamos aguardando resposta dos Bombeiros. Eles devem atuar fazendo a segurança das urnas, das 20 horas do sábado, às 8 horas do domingo?, detalhou o comandante, dizendo que o Corpo de Bombeiros já garantiu 112 homens. ?Eu preciso de pelo menos 514, já que seriam dois em cada um dos 257 locais de votação existentes na Grande Maceió?, afirmou. ### Exército pronto para entrar em ação O Exército também já está de prontidão. Até agora, só o município de Minador do Negrão teve confirmado o envio de 50 soldados do 59° Batalhão de Infantaria Motorizado para trabalhar nas eleições do dia 5 de outubro. Outras nove cidades aguardam resposta da Justiça ? sete estão no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL) e dois no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O tenente Adelino, da coordenação de Comunicação Social do Exército em Alagoas, explicou que os soldados serão enviados para os municípios com dois dias de antecedência das eleições. ### TRE corre para julgar pedido de tropas O Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL) deve priorizar os julgamentos dos pedidos relativos à presença de tropas federais em municípios considerados inseguros pelos juízes eleitorais. Oficialmente, o prazo-limite para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue essas requisições termina na próxima quinta-feira (25), podendo se estender até a véspera das eleições. Os sete pedidos de tropas que aguardam a decisão da corte eleitoral alagoana deverão ser incluídos nas pautas das primeiras sessões, que começam amanhã à tarde no TRE. ### Municípios viram ?barris de pólvora? O município de Minador do Negrão, primeiro a ter a presença das Forças Armadas confirmada pelo TSE, tem como principal motivação para o pedido a questão da disputa do poder entre facções do clã dos Ferro, que já deixou mortos e feridos de ambos os lados. Há um mês, a Justiça Eleitoral proibiu a candidata a prefeita de Minador do Negrão, Maria do Socorro Cardoso Ferro (PSDB), de divulgar uma mensagem do foragido da Justiça, José Hilton Cardoso Ferro, o ?Zé Nilton Ferro?, em sua propaganda eleitoral. A mensagem estaria provocando a sensação de medo no eleitorado, porque além de pedir votos para Socorro Ferro, Zé Nilton dizia que voltaria durante a campanha. Ele é acusado de, em janeiro de 2004, ter comandado o atentado contra o deputado estadual afastado, Cícero Ferro (PMN), e seu motorista e primo, José Maria Ferro. A esposa do deputado, Eladja Ferro, é a adversária de Socorro. ///