Projeto imobiliário
Câmara aprova audiência para discutir impacto de megatorres na Lagoa da Anta
Prevista para 17 de março, sessão debaterá possíveis danos socioambientais à área localizada na orla da Jatiúca
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A Câmara Municipal de Maceió aprovou ontem o requerimento do vereador Allan Pierre (MDB) para a realização de uma audiência pública que discutirá os impactos ambientais e urbanísticos da proposta de construção de cinco megatorres, com 15 andares cada uma, no entorno da Lagoa da Anta, na Jatiúca.
O debate, previsto para 17 de março, busca aprofundar as discussões sobre os possíveis danos ao ecossistema local e os impactos na mobilidade urbana da capital.
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A audiência pública será um espaço para que representantes do poder público, entidades ambientais, setor imobiliário e a sociedade civil possam analisar os riscos do empreendimento, que envolve a conversão da área cedida ao Hotel Jatiúca em um complexo residencial de alto padrão.
Entre os convidados para o debate estão órgãos como a Prefeitura de Maceió, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA-AL), o Ibama e o Ministério Público, além de representantes do setor da construção civil.
Allan Pierre destacou a importância da Lagoa da Anta como patrimônio natural e alertou para a necessidade de que qualquer intervenção na área seja amplamente debatida.
“A Lagoa da Anta é um dos últimos resquícios naturais da nossa cidade e não podemos permitir que o desenvolvimento urbano avance sem um planejamento sustentável. Precisamos garantir que esse projeto não comprometa a biodiversidade, o equilíbrio ecológico e o direito da população de usufruir do espaço público”, afirmou.
A polêmica em torno do projeto se intensificou nos últimos meses devido à ausência de amplo debate sobre o impacto ambiental diante da construção de espigões no último ecossistema preservado na capital.
Outro ponto de preocupação diz respeito à falta de atualizações no Plano Diretor de Maceió, defasado há 20 anos. Ambientalistas e urbanistas vêm alertando para os impactos da possível verticalização da região, destacando riscos como impermeabilização do solo, aumento do trânsito e possíveis danos ao lençol freático.
COMO É O CONTRATO
A Record Construtora fechou um contrato de gaveta com o Grupo Lundgren para a construção de cinco megatorres de 15 andares cada uma na região da Lagoa da Anta. O Valor Geral de Vendas (VGV) do projeto – que representa o faturamento total das unidades a serem comercializadas pela construtora – ultrapassa R$ 1,5 bilhão, segundo projeções de agentes do mercado imobiliário que atuam em Alagoas e em outros estados do Nordeste.
Executivos diretamente envolvidos na elaboração do contrato revelaram à Gazeta que a Record já desembolsou R$ 10 milhões em dinheiro ao Grupo Lundgren.
As partes aguardaram o fim do período eleitoral para retomar agora as tratativas de forma impetuosa. A negociação, mantida “sob sigilo” e confirmada por Hélio Abreu, sócio da construtora, prevê ainda que a Record assumirá uma dívida de R$ 260 milhões que o Grupo Lundgren tem junto a instituições financeiras.
Além do pagamento inicial e da absorção da dívida, os termos contratuais firmados pela Record fixam também um pagamento adicional de mais R$ 260 milhões, perfazendo um total de R$ 520 milhões, valor este correspondente a uma taxa de valorização de 35%, devido à incorporação da área ao projeto.