Carnaval
RJ: Imperatriz, Viradouro, Beija-Flor e Salgueiro se destacam nos dois primeiros dias
Desfile da segunda-feira foi marcado pela despedida de Neguinho da Beija-Flor após 50 anos como intérprete
Imperatriz Leopoldinense e Unidos do Viradouro foram os destaques da primeira noite dos desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro no domingo (2).
Unidos de Padre Miguel, que estreou na elite, e a Estação Primeira de Mangueira também fizeram bons desfiles, em uma noite repleta de enredos com temática afro.
O som falhou em ao menos três momentos, no desfile de UPM, Imperatriz e Mangueira. A Liesa culpou a empresa que faz o som, e disse que os problemas foram corrigidos e “os desfiles transcorreram sem problemas na sequência”.
Nenhuma das escolas estourou o tempo, respeitando o máximo de 80 minutos. Na estreia do novo modelo de quatro desfiles por noite – eram seis –, a Mangueira encerrou sua passagem pela Sapucaí às 4h11, antes do amanhecer.
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A escola que abriu os desfiles foi a Unidos de Padre Miguel, a grande vencedora da Série Ouro de 2024 e que retorna ao Grupo Especial depois de mais de 50 anos, já que a última participação foi em 1972.
A agremiação vermelha e branca entrou na Sapucaí com o enredo Egbé Iyá Nassô, uma homenagem a Iyá Nassô, uma das fundadoras do Candomblé da Barroquinha, na Bahia, que deu origem ao Terreiro Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador, o templo de religião de matriz africana mais antigo do país.
IMPERATRIZ
A segunda escola a desfilar foi a Imperatriz Leopoldinense, de Ramos, na zona norte da cidade, que tem nove títulos do grupo de elite, sendo o último em 2023.
O enredo da escola de cores verde, branco e dourado - Ómi Tútu ao Olúfon - Água fresca para o senhor de Ifón - trata da cerimônia das águas de Oxalá, baseada em uma mitológica viagem do orixá, rei de Ifón, ao reino do amigo Xangô, durante a qual sofreu por ações vingativas cometidas por Exu.
VIRADOURO
A terceira escola a desfilar foi a atual campeã Unidos do Viradouro, escola vermelha e branca de Niterói, no grande Rio, que busca seu quarto título com o enredo Malunguinho: o Mensageiro de Três Mundos.
O enredo homenageia o líder quilombola do Catucá, em Pernambuco, João Batista, conhecido como Malunguinho, perseguido e morto por autoridades imperiais em 1835. Na religião Jurema, Malunguinho, evocado no início das cerimônias, é a única entidade que pode ser chamada de Mestre, Caboclo e Exu.
VERDE E ROSA
Foi a verde e rosa Estação Primeira de Mangueira que encerrou os desfiles do primeiro dia do Grupo Especial. A escola, que é dona de 20 títulos, quer levantar a taça novamente, depois de seis anos.
O enredo À Flor da Terra - No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões fala da persistência, no Rio de Janeiro, da cultura bantu, comum a diversos povos da África subsaariana, como habitantes do Congo, de Angola e Moçambique. A ideia do enredo é exaltar essa cultura, que costuma ser relegada, apesar de grande parte dos escravos que aportaram no Brasil ser bantu
2º DIA
A segunda noite de desfiles do Grupo Especial teve a ancestralidade africana como principal tema de destaque. Três das quatro escolas – Unidos da Tijuca, Beija-Flor e Salgueiro - abordaram o assunto de alguma forma nos enredos.
A Unidos de Vila Isabel, que fechou a noite, preferiu assombrar o público com um enredo que apresentava também elementos de diversão.
Poucos minutos depois das 22h, a juventude do Borel, como diz trecho do samba-enredo da Unidos da Tijuca, desceu o morro para cantar em louvor a Lógun Edé, personagem principal do enredo da escola de samba. Nas arquibancadas, o público saudava a agremiação, que abria a noite de desfiles.
NEGUINHO
A Beija-Flor começou o seu desfile nos últimos minutos da segunda-feira. Entrou na avenida praticamente soltando fogo. O público delirou ao ver as chamas saindo do carro abre-alas, Xangô Me Guia.
Dona de 14 títulos na elite do carnaval do Rio, a Beija-Flor de Nilópolis, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, entrou na avenida para um desfile histórico – a despedida do intérprete Neguinho da Beija-Flor, após 50 anos representando a voz da azul e branca.
A escola apresentou ao público da Marquês de Sapucaí o enredo Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas, uma homenagem ao diretor de carnaval que figura entre as maiores personalidades da agremiação e do carnaval carioca.
SALGUEIRO
O Salgueiro foi a terceira escola da noite a levar, de alguma forma, o tema ancestralidade para a Sapucaí.
A escola, também do bairro da Tijuca, atravessou a Passarela do Samba de corpo fechado. O enredo Salgueiro de Corpo Fechado explorou a relação humana com a busca pela proteção espiritual.
O tema da vermelha e branca, que busca o décimo título na elite do carnaval, fez referências à chegada na Bahia de africanos muçulmanos escravizados e à herança que veio de povos mandingas de Mali, no norte da África.
VILA ISABEL
A Vila Isabel foi a quarta e última a desfilar. A agremiação levou para a avenida elementos, pelo menos em teoria, assustadores. Fantasmas, lobisomens, caveiras, dragões, monstros, mascarados, bicho-papão, espantalhos, cuca, vampiros, bruxas, lobo mau e zumbis estavam presentes em fantasias e alegorias.
A escola da zona norte do Rio e dona de três títulos da primeira divisão - sendo o último em 2013 - expôs para o público e jurados o enredo Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros, que dias atrás criticou a presença da temática africana nos carnavais. “São todos iguais e ninguém entende nada”.
ÚLTIMO DIA
Quatro escolas fecharam os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro nessa terça-feira: Paraíso do Tuiuti, Grande Rio, Portela e Mocidade.
APURAÇÃO
A grande campeã do carnaval do Rio de 2025 será conhecida nesta quarta-feira de cinzas. A leitura dos votos começa às 15h.
Serão lidas as notas dos 36 jurados, para nove quesitos. A nota mais baixa será descartada.
Das 12 escolas do desfile, a que obtiver o somatório de notas mais alto será a campeã de 2025. As seis primeiras escolas voltarão à Avenida Marquês de Sapucaí no dia 8, para o Sábado das Campeãs. A escola com nota mais baixa será rebaixada e vai desfilar na Série Ouro em 2026.