IMPASSE
Base de JHC na Câmara reclama de distanciamento e aguarda reforma administrativa
Vereadores que dão sustentação ao governo municipal estão incomodados com sumiço do prefeito nos primeiros meses da segunda gestão
A base governista na Câmara Municipal de Maceió está com expectativas altas quanto ao início da segunda gestão do prefeito JHC (PL). Segundo membros da bancada, a administração do prefeito deve começar a caminhar de forma efetiva a partir de agora, após o Carnaval. Contudo, há uma sensação crescente de distanciamento por parte do chefe do Executivo, especialmente nos primeiros meses deste mandato.
Alguns vereadores, em conversas com colegas da base aliada, têm demonstrado insatisfação com a ausência de maior interação entre o prefeito e o Legislativo municipal. A famigerada reforma administrativa, que promete manter os espaços dos aliados e criar novas oportunidades para os recém-chegados, ainda não foi materializada.
Ainda não há clima de mal-estar. Contudo, se as mudanças previstas não forem feitas, a lua-de-mel entre a bancada e o prefeito tende a acabar. A paciência, como repetem alguns, é curta.
Em conversas reservadas, alguns membros da base governista têm apontado que a postura de JHC frente ao Legislativo tem sido distante, especialmente nos primeiros meses de sua segunda gestão. Eles dizem que o prefeito tem um perfil de só buscar contato quando precisa. O mais efetivo, nos últimos meses, foi quando ocorreu a definição dos integrantes da Mesa Diretora da Câmara. Depois só apareceu para inaugurações pontuais.
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Essas declarações refletem um descontentamento crescente entre parlamentares, que se sentem negligenciados pela administração municipal. Segundo esses aliados, a falta de diálogo e a ausência do prefeito nas questões do Legislativo têm dificultado o andamento das negociações e a definição de ações conjuntas para a cidade. Embora JHC tenha se mostrado presente em algumas cerimônias e inaugurações pontuais, sua ausência nas articulações políticas tem gerado desconforto dentro da base.
Outro ponto que tem gerado estranhamento dentro da base é a indefinição quanto à liderança do governo na Câmara. Embora a Mesa Diretora já tenha decidido a composição e o comando das comissões, a escolha do nome que ocupará o cargo ainda não foi feita, o que reforça a sensação de distanciamento do prefeito com o Legislativo. O nome mais forte para ser o líder do governo é o vereador Samyr Malta (Podemos), que já é presidente da Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira.
Nos bastidores, o prefeito tem se dedicado intensamente à articulação política fora de Maceió. Desde o fim do ano passado, JHC tem viajado em busca de apoio para sua tia, a procuradora de Justiça Marluce Caldas, que almeja uma vaga como ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A busca por apoio tem consumido grande parte do tempo do prefeito, que também tem se aproximado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o intuito de fortalecer sua base política no Estado.
A tentativa de estreitar os laços com o presidente Lula é vista como um movimento estratégico, considerando que o prefeito de Maceió, nas eleições de 2022, foi um dos principais opositores do atual chefe do Executivo federal. Esse movimento também está alinhado a um dos maiores objetivos de JHC: se preparar para uma possível candidatura ao Governo do Estado de Alagoas em 2026.
Para alcançar esse objetivo, JHC precisaria construir uma base forte e, para isso, o estreitamento com o governo federal seria crucial. Além disso, há especulações de que o prefeito possa deixar o PL e migrar para o PSD, partido que integra a base do governo Lula.
Essa mudança estaria relacionada a um encontro recente de JHC com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que também é filiado ao PSD. Se concretizada, a filiação de JHC ao PSD poderia ser vista como um movimento para afastar-se da ala bolsonarista, que ainda possui forte presença em Maceió.