Reação
Após virar réu, Bolsonaro diz que acusação de golpe é ‘infundada'
Ex-presidente da República voltou levantar suspeitas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou ontem que tenha participado de uma tentativa de golpe de Estado. Ele disse também que as acusações contra ele são “graves e infundadas”.
Bolsonaro deu as declarações instantes depois de se tornar réu, no Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe. A Primeira Turma da Corte, por unanimidade, decidiu aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente e mais sete aliados, o chamado “núcleo crucial” da trama golpista
“Eu espero hoje botar um ponto final nisso aí. Parece que tem algo pessoal contra mim. A acusação é muito grave, e são infundadas. E não é da boca para fora”, afirmou Bolsonaro.
Em declaração à imprensa, ele afirmou que, enquanto presidente, pediu a desmobilização de movimentos que pediam intervenção militar no país e que colaborou com a transição do governo dele para o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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“Golpe tem povo, mas tem tropa, tem armas e tem liderança. Um ano, dois anos de investigação, não descobriram quem porventura seria esse líder”, declarou Bolsonaro.
O ex-presidente lembrou o pronunciamento que fez no Palácio da Alvorada no dia 2 de novembro, logo após ter sido derrotado por Lula na eleição presidencial de 2022.
Ele afirmou que, na ocasião, disse que manifestações pacíficas eram bem-vindas e que atos não podiam resultar em invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir.
“Ato contínuo, começamos a transição. Alguns dias depois desse pronunciamento, os caminhoneiros começaram a obstruir vias pelo Brasil. Eu fiz um vídeo pedindo que eles desmobilizassem. Não tinha intenção nenhuma em parar o Brasil, criar um caos ou estava pensando em outra coisa”, disse.
“Fui para os EUA, graças a Deus, porque se tivesse aqui no 8 de Janeiro, estaria preso até hoje. Ou morto, que eu sei que é o sonho de alguns aí. Eu preso vou dar trabalho”, afirmou a jornalistas.
URNAS
No pronunciamento que fez nesta quarta, Bolsonaro voltou a levantar suspeitas infundadas e a fazer acusações já desmentidas contra as urnas eletrônicas. “Não sou obrigado a confiar, a acreditar no programador [das urnas]. Confio na máquina, não sou obrigado a confiar no programador”, disse.
Na declaração que fez à imprensa, Bolsonaro comentou sobre a “minuta do golpe”, um documento encontrado durante as investigações que previa intervenção das Forças Armadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O ex-presidente disse que não assinou a minuta e que teria que convocar os conselhos da República e da Defesa para dar andamento à ideia.
“Aí seria o primeiro passo. Não adianta botar um decreto na frente do presidente, de estado de Defesa e assinar que está resolvido. Não convoquei os conselhos da República e da Defesa. Nem atos preparatórios houve pra isso. Se é que você trabalhar com um dispositivo constitucional é sinal de golpe. Golpe não tem lei, não tem norma”, afirmou.