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Reforma ministerial

PT volta a defender nome de Lira para assumir Agricultura

Partido do Presidente Lula quer aproveitar momento para intensificar a construção de uma aliança com o Centrão

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Atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, vem sendo alvo de críticas por parte dos congressistas
Atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, vem sendo alvo de críticas por parte dos congressistas | Foto: Agência Brasil

O PT do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera que o PL ficou isolado na Câmara ao tentar obstruir o plenário diante da votação do PL da Reciprocidade, de interesse do agronegócio e que municiará o Planalto na guerra comercial com os Estados Unidos.

Lideranças petistas querem aproveitar o que consideram uma janela de oportunidade e voltaram a defender o deputado Arthur Lira (PP-AL) como ministro da Agricultura.

A obstrução é uma manobra geralmente utilizada pela oposição para impedir votações no Congresso. Ela consiste em parlamentares não marcarem presença, com o objetivo de evitar quórum para deliberações, além de apresentação de requerimentos de retirada de pauta.

O PL adotou esse posicionamento pela segunda semana consecutiva, visando pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro.

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De acordo com líderes partidários ouvidos pelo Metrópoles, a obstrução do PL não prosperou e deve seguir sem adesão nas próximas semanas. O PT quer aproveitar esse momento para intensificar a construção de uma aliança com o Centrão, onde está parte considerável dos parlamentares da chamada “bancada do boi”.

A aprovação do PL da Reciprocidade uniu governo e agronegócio, pois a proposta também favorece o Brasil em negociações internacionais e protege o setor do que ele mesmo batizou de “protecionismo verde” da Europa. Agora, caciques do PT passaram a defender que Lira, ex-presidente da Câmara e um dos nomes do agro, assuma o Ministério da Agricultura para amarrar a bancada ao governo.

O atual ministro é Carlos Fávaro (PSD), que sofre críticas de congressistas. Lira, por sua vez, é ex-presidente da Casa e detém boa relação com o Centrão, grupo sobre o qual ainda exerce influência. A leitura no PT é que, ao insistir para o deputado assumir a pasta, uma das fontes de desgaste da Esplanada com o setor seria minimizada.

Segundo caciques da bancada do agronegócio, o grupo tem lidado com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para solucionar problemas do agro. Foi o que ocorreu com o Plano Safra, quando linhas de crédito do programa foram suspensas pelo Tesouro Nacional por causa do atraso na aprovação do Orçamento de 2025.

Apesar disso, os mesmos caciques do agro afirmam não enxergar um “bom negócio” para Lira se tornar ministro. Destacam que, fora do governo, o ex-presidente da Câmara pode se manter próximo a Lula, sem comprometimento ou repercussão eleitoral para 2026, quando tentará se eleger senador em Alagoas. Em 2022, o deputado fez campanha para Bolsonaro no estado.

Outro ponto que trouxe um eventual convite a Lira de volta ao debate foi a viagem que o deputado fez com o presidente Lula ao Japão. O parlamentar fez parte da comitiva presidencial, que tinha como missão melhorar a relação comercial do Brasil com países asiáticos, inclusive para liberação de exportação de carne à região..

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