Política
Chinaglia conclui mandato desgastado
Entre os cargos mais cobiçados do País, motivo de brigas e disputas entre os pares, a presidência da Câmara Federal tanto pode servir para fortalecer politicamente a imagem de um deputado, como para desgastar profundamente sua credibilidade. Sente na pele esse desgaste o atual comandante da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Criticado pelos colegas nos bastidores por ter um temperamento difícil e ser pouco ?maleável?, além de ter trocado farpas com o Poder Judiciário e ter se ?curvado? às Medidas Provisórias (MPs) do governo federal, ele deixa a presidência daqui a dois meses sem ter cumprido a principal promessa quando se candidatou à vaga: aprovar a Reforma Política. ### ?O grande erro dele foi ter lado? Componente da Mesa Diretora exercendo a função de segundo-secretário, além de postulante à presidência da Câmara Federal para o próximo biênio (2009/2010) e integrante da base governista, Ciro Nogueira (PP-PI) diz que não viu avanços na gestão atual. ?Pela estrutura de poder que tem na Casa, Arlindo não consegue criar uma marca. Acredito que o grande erro foi ele ter lado. Quando assumem a presidência, os deputados costumam se tornar super líderes partidários, direcionando as ações para um grupo pequeno. Faltou uma atitude mais independente?, avaliou, embora tenha qualificado o presidente como sendo uma ?pessoa correta?. ### Governistas tentam amenizar críticas Se por um lado os oposicionistas aproveitam para tecer comentários negativos a respeito da atual direção na Câmara Federal, por outra vertente, governistas tentam a todo custo minimizar possíveis desgastes na gestão de Arlindo Chinaglia. O coordenador da bancada do Nordeste, Zezéu Ribeiro (PT-BA), consegue ver uma marca deixada pelo correligionário. ?A gestão dele foi marcada pela independência. Ele se zanga, faz mal-criação, mas trabalha com muita dignidade, competência. Ele fez alguns enfrentamentos à Justiça, que tem extrapolado os limites nas suas decisões?, solidarizou-se. ///