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Mobilização

Oposição ocupa mesas do Congresso e sessões são canceladas

Parlamentares aliados de Bolsonaro usaram esparadrapo na boca em protesto contra prisão do ex-presidente

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Com a boca tapada, congressistas de oposição ocuparam as mesas diretoras da Câmara e Senado
Com a boca tapada, congressistas de oposição ocuparam as mesas diretoras da Câmara e Senado | Foto: Reprodução

Parlamentares da oposição ao governo federal fizeram ontem um protesto no Congresso Nacional contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nos plenários da Câmara e do Senado, os senadores ocuparam a Mesa Diretora e colaram esparadrapos na boca como forma simbólica de protesto. Eles afirmaram que só deixariam o local quando o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), colocasse em pauta pedidos de impeachment contra Moraes. Eles prometeram passar a noite no local.

Em coletiva de imprensa em frente ao Congresso, o filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), disse que as medidas exigidas pela oposição visam “pacificar” o Brasil. “A primeira medida desse pacote de paz que queremos propor é o impeachment do ministro Alexandre de Moraes que não tem nenhuma capacidade de representar a mais alta Corte do país”, informou o parlamentar.

O líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN), cobrou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), paute o impeachment de Moraes.

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“Ocupamos as mesas diretoras das duas Casas, no Senado e na Câmara, e vamos obstruir as sessões. O Senado já está com cinco senadores sentados na mesa. É uma medida extrema, nós entendemos, mas já fazem mais de 15 dias que eu, como líder da oposição, não consigo interlocução com Davi Alcolumbre”, comentou.

Além da anistia e do impeachment de Moraes, a oposição exige ainda a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para o fim do foro privilegiado. Dessa forma, o ex-presidente Bolsonaro não seria mais julgado pelo Supremo, mas pela primeira instância.

Apesar de exigirem as medidas para “pacificar o Brasil”, como disseram os parlamentares, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que o grupo estava “se apresentando para a guerra”. “Não haverá paz no Brasil enquanto não houver discurso de conciliação, que passa pela anistia, pela mudança do fim do foro e pelo impeachment de Moraes”, afirmou.

Diante da mobilização da oposição, as sessões da Câmara dos Deputados e do Senado previstas para essa terça foram canceladas. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou o encerramento da sessão por meio das redes sociais e disse que convocará uma reunião de líderes para tratar da pauta de votações. “Ela sempre será definida com base no diálogo e no respeito institucional”, afirmou Motta.

Já Alcolumbre divulgou uma nota na qual criticou a atitude dos parlamentares da oposição, chamando a mobilização de “exercício arbitrário das próprias razões”. Ele pediu “serenidade” e “espírito de cooperação” para que “o bom senso prevaleça”. “Precisamos retomar os trabalhos com respeito, civilidade e diálogo, para que o Congresso siga cumprindo sua missão em favor do Brasil e da nossa população”, completou.

Mais cedo, durante um evento na Paraíba, o presidente da Câmara havia comentado a prisão de Bolsonaro. Segundo ele, decisões judiciais devem ser respeitadas, e não cabe à Presidência da Câmara fazer juízo de valor sobre o conteúdo da medida. “Eu penso que o legítimo direito de defesa tem que ser respeitado, que é um direito de todos”.

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