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Indústria química

IG4 prepara proposta pela Braskem após fim da exclusividade

Falta de acordo envolvendo questões relacionadas ao afundamento do solo em Maceió trava negociações com empresário Nelson Tanure

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Venda do controle da Braskem a Nelson Tanure (foto) esbarra nas pendências da empresa em Alagoas
Venda do controle da Braskem a Nelson Tanure (foto) esbarra nas pendências da empresa em Alagoas | Foto: Divulgação

O empresário Nelson Tanure, que apresentou proposta para adquirir a fatia de controle que a Novonor (antiga Odebrecht) detém na Braskem, pode desistir da petroquímica. O principal obstáculo, neste momento, é a ausência de um acordo com autoridades sobre questões legais relacionadas ao afundamento do solo em Maceió, registrado desde 2018.

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A indefinição tem atraído outros interessados, como a gestora de private equity IG4 Capital, que aguarda o fim do prazo de exclusividade para apresentar uma oferta alternativa. O plano da IG4 prevê a consolidação das dívidas bancárias da Novonor e a conversão desses passivos em ações da Braskem.

Paralelamente, a Unipar Carbocloro, segunda maior fabricante de PVC da América do Sul, confirmou estar em tratativas para adquirir as plantas de polipropileno da Braskem nos Estados Unidos. A operação pode chegar a US$ 1 bilhão. A notícia provocou reação da Petrobras, que detém 36,1% do capital da Braskem e direito de preferência na venda. A estatal afirmou ter sido surpreendida pela negociação e declarou que deveria ter sido consultada.

A Petrobras também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), alegando ter sido excluída das discussões sobre a proposta de Tanure. Embora o órgão antitruste tenha aprovado a operação, condicionou seu andamento ao respeito ao acordo de acionistas firmado com a estatal e ao êxito nas tratativas com os bancos credores da Novonor.

No início de julho, a Braskem informou que a Novonor comunicou à companhia que a NSP Investimentos e o fundo Petroquímica Verde pediram autorização ao Cade para uma negociação envolvendo as ações da Novonor na petroquímica.

A NSP é uma holding da Novonor, que possui participação na Braskem. Já a Petroquímica Verde é um fundo de investimento de Tanure. Em maio deste ano, a Braskem havia informado que a Novonor recebeu uma proposta do empresário para a compra da fatia de controle que detém na petroquímica.

Tanure assinou, em maio, um documento de exclusividade de 90 dias para discutir os termos da oferta. Esse prazo termina em 21 de agosto e, até o momento, o impasse ambiental permanece.
“Um acordo com todas as entidades envolvidas no desastre de Alagoas é ‘sine qua non’. Sobretudo, da não transferência da responsabilidade penal e de equacionamento financeiro para os novos acionistas”, afirmou Tanure, em nota à agência Reuters.

Em paralelo às negociações com Tanure, a Braskem confirmou, na última sexta-feira (8/8), que mantém tratativas para possível venda de ativos nos Estados Unidos. As conversas ocorrem com a Unipar, com a qual a petroquímica assinou um acordo de confidencialidade no mês passado.

De acordo com comunicado da Braskem ao mercado, as negociações tratam de “potenciais oportunidades envolvendo ativos e/ou participações societárias da companhia e de suas subsidiárias”.

A petroquímica estaria negociando a venda de unidades industriais de produção de polipropileno nos estados do Texas, da Pensilvânia e da Virgínia Ocidental, nos EUA.

A negociação é conduzida pela Novonor, acionista controladora que possui 50,1% do capital votante da Braskem. A Petrobras, por sua vez, detém 47%.

Em nota, a Unipar confirmou a assinatura do acordo de confidencialidade para avaliar a viabilidade de aquisição de ativos.
“A companhia informa que está constantemente avaliando oportunidades e alternativas para investimentos e aquisições de participações societárias ou de ativos”, declarou.

A Unipar ressaltou, no entanto, que não há definição sobre quais ativos ou participações fariam parte da operação. Afirmou ainda que, até o momento, não foram firmados documentos relacionados à transação.

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