Articulações
Ex-prefeitos alagoanos ensaiam retorno às urnas nas eleições de 2026
Movimentos revelam estratégias de influência nas bases e busca por sobrevivência política
A cena política alagoana começa a ser redesenhada com um movimento cada vez mais nítido: ex-prefeitos de diferentes regiões do estado voltam ao tabuleiro eleitoral de olho em 2026, numa oportunidade de medir sua capilaridade política, testar a fidelidade das bases e, sobretudo, manter presença ativa na vida pública.
Entre os nomes que se colocam à disposição, o ex-prefeito de Palmeira dos Índios e atual secretário de Estado das Relações Federativas e Internacionais, Júlio Cezar, é um dos primeiros a oficializar sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa.
De saída do MDB, partido que considera “forte demais” para garantir chances reais de competitividade interna, Júlio tem dialogado com siglas como PSB e PSD, mas deixa claro que a escolha passará pelo alinhamento com o Governador Paulo Dantas, o senador Renan Calheiros e o Ministro Renan Filho.
“Não posso ir para um partido onde eu não possa subir no mesmo palanque dos meus líderes”, reforça. Júlio busca ocupar um espaço que já foi expressivo na região de Palmeira, outrora representada por até quatro deputados estaduais.
No Litoral Norte, em Porto de Pedras, a crise política entre padrinho e afilhado eleitoral dominou os bastidores após o rompimento público do ex-prefeito Henrique Vilela com Allan de Jesus, atual gestor do município.
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A ruptura, marcada por episódios de afastamento de familiares de cargos e especulações sobre acordos não cumpridos, abre caminho para uma recomposição política liderada por Vilela, que já articula alianças com antigos adversários como Caio Borghetti e Boi Lambão. A movimentação pode resultar em candidatura à Assembleia Legislativa.
Em União dos Palmares, Areski Damara de Omena Freitas Júnior, o Kil Freitas, anunciou que não disputará vaga de deputado estadual, mas não descarta se lançar candidato a deputado federal em 2026. O gesto abre espaço para a construção de uma candidatura mais ampla, em sintonia com o Governador Paulo Dantas, de quem é aliado.
À frente do Emater, Kil tem usado a gestão como vitrine para reforçar avanços na agricultura familiar. Embora o prefeito de União, Júnior Menezes, tenha defendido o nome de Kil para a ALE, o ex-gestor opta por mirar Brasília.
Na Zona da Mata, o nome de Neno da Laje ressurge com força. Ex-prefeito de São José da Laje por três mandatos e ex-vereador por dois, ele mantém um grupo político sólido. Em 2022, sua base deu prova de fôlego ao eleger Rodrigo Valença, aliado de longa data, para a Câmara dos Deputados.
Neno agora avalia disputar vaga na ALE em 2026. Sua trajetória é marcada também pela habilidade de articular apoios de peso, como os do senador Renan Calheiros e do deputado Arthur Lira.
O Sertão e o Agreste também se movimentam. Hugo Wanderley, ex-prefeito de Cacimbinhas e atual presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), acelera alianças e reforça seu nome como pré-candidato a deputado estadual.
Entre os que tentam retomar espaço após derrotas, aparece Jairzinho Lira. Ex-prefeito de Lagoa da Canoa e ex-deputado estadual, ele amarga três derrotas consecutivas no município, além de perdas em cidades vizinhas. Ainda assim, Jairzinho articula retorno à Assembleia Legislativa em 2026.