Território palestino
Forças israelenses atacam mais de 150 alvos na Cidade de Gaza
Exército também anunciou abertura de novo corredor para fuga de moradores
Um dia após o início da ofensiva por terra para a tomada integral da Cidade de Gaza, Israel anunciou ontem que atacou mais de 150 pontos que afirmou ser alvos do Hamas na localidade. Os ataques deixaram 19 mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo grupo terrorista.
O Exército do país também anunciou a abertura de um novo corredor para acelerar a fuga dos moradores em direção ao sul — a nova ofensiva levou milhares de pessoas a deixar novamente a Cidade de Gaza, para onde parte da população local havia voltado após fugir para o sul em uma primeira fase da guerra na Faixa de Gaza.
Nesta semana, estradas que levam ao sul do território palestino já estavam colapsadas com filas de carros amontoados e pessoas fugindo a pé.
Israel vem reiterando as ordens para a evacuação da Cidade de Gaza, mas até esta quarta recomendava que os moradores fugissem pela estrada costeira, que ficou colapsada.
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A nova passagem, chamada de Salaheddine, passa por ruas por dentro do território (veja mapa abaixo). Mas estará disponível apenas durante 48 horas, indicou o coronel israelense Avichay Adraee nas redes sociais ontem.
“A circulação deve ocorrer apenas pelas ruas marcadas em amarelo no mapa como rota para o sul. Siga as instruções das forças de segurança e as placas de trânsito”, disse Adraee.
Segundo o Exército israelense, cerca de 350 mil moradores da Cidade de Gaza deixaram a localidade rumo às chamadas zonas humanitárias montadas pela ONU no sul do enclave — a semana anterior ao início da ofensiva, entre 900 mil a um milhão de pessoas viviam na Cidade de Gaza, a principal da Faixa de Gaza.
Ontem de manhã, duas divisões do Exército de Israel operavam na Cidade de Gaza e mais uma terceira vai se somar a elas nos próximos dias.
Os dados são sigilosos, mas a RFI obteve a informação de que as forças regulares israelenses contam com entre seis e sete divisões, metade do total de divisões do Exército israelense.
De acordo com o chefe do Estado-Maior do Exército de Israel, Eyal Zamir, “o Hamas recebeu duros golpes que levaram à derrota da maior parte de poderio militar” do grupo palestino. Segundo ele, “as conquistas [na Faixa de Gaza] permitirão que Israel se aproxime do fim da guerra”.
Zamir foi o grande protagonista de embates com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nas recentes reuniões do gabinete de segurança por demonstrar oposição à ofensiva. O chefe do Estado-Maior do Exército deixou claro que considera a decisão um risco para os 48 reféns ainda mantidos em cativeiro e para os próprios soldados do país.
Segundo informação apurada pela RFI, a avaliação de uma fonte israelense é que essa operação deve levar vários meses, podendo se estender até janeiro de 2026.