Discurso na ONU
Lula critica unilateralismo, alerta sobre autoritarismo e defende clima e democracia
Presidente brasileiro também criticou sanções arbitrárias e unilaterais impostas pelos EUA
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu ontem a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com um discurso de 18 minutos marcado por críticas ao unilateralismo, defesa da democracia e apelos pela paz e pelo meio ambiente.
Sem citar nominalmente Donald Trump, Lula condenou as “sanções arbitrárias e unilaterais” impostas pelos Estados Unidos e afirmou que o mundo enfrenta “a consolidação de uma desordem internacional” alimentada por autoritarismo e intervenções unilaterais. O petista também destacou que, pela primeira vez na história, um ex-chefe de Estado brasileiro foi condenado por atentar contra a democracia, em referência ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF. “Não há pacificação com impunidade”, disse.
O Presidente ressaltou avanços sociais do Brasil, como a saída do Mapa da Fome, e defendeu que pobreza e desigualdade corroem os sistemas democráticos. Criticou disparidades de gênero e a criminalização de migrantes: “A democracia falha quando mulheres ganham menos ou morrem pelas mãos de parceiros, e quando migrantes são culpados pelas mazelas do mundo”.
Lula também alertou para os riscos e oportunidades trazidos pelas big techs, lembrando que o Brasil aprovou recentemente legislação para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.
Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela
Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara
Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca
Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado
Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara
Em um dos trechos mais duros, classificou como “genocídio” a ofensiva israelense em Gaza e pediu reconhecimento internacional da Palestina como Estado. “Nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”, afirmou, condenando ao mesmo tempo os ataques terroristas do Hamas.
Ao falar sobre a América Latina, destacou a polarização política da região e defendeu o diálogo na Venezuela, a paz no Haiti e o fim da inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo. Também criticou a equiparação entre criminalidade e terrorismo, defendendo cooperação internacional contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas.
Na agenda ambiental, Lula propôs criar um conselho global para monitorar compromissos climáticos e convocou líderes a assumirem metas mais ambiciosas de redução de emissões. Alertou que 2024 foi o ano mais quente da história e declarou que a COP30, que será realizada em Belém, deverá ser “a COP da verdade”.
No encerramento, homenageou o ex-presidente uruguaio José Mujica e o papa Francisco, mortos neste ano, destacando que ambos representavam valores humanistas. Segundo Lula, eles lembrariam ao mundo que “o amanhã é feito de escolhas diárias e é preciso coragem para transformá-lo”.