CPMI
‘Careca do INSS’ não responde a perguntas de relator, mas nega participar de fraudes
Preso pela PF por suspeita de desvios na Previdência, Antônio Antunes disse ser um “empreendedor nato”
Antônio Carlos Camilo Antunes, preso pela Polícia Federal na investigação que apura desvios de pensões e aposentadorias pagas pela Previdência Social, afirmou ontem à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS que é um “empreendedor nato”.
Ele também disse que “Careca do INSS” é um personagem fictício. O empresário declarou ainda não ter “nenhuma relação” com o poder público.
“Jamais fui esse personagem fictício, o chamado Careca do INSS. Rótulo criado pelo senhor Eli Cohen, que induziu pessoas de bem, veículos de comunicação respeitados, profissionais de imprensa e toda a sociedade a acreditar em uma narrativa fantasiosa, construída a partir de uma leitura superficial de e-mails trocados entre duas entidades privadas”, disse Antunes.
“Sou Antônio Carlos Camilo Antunes, um empreendedor nato, um empresário que constituiu, ao longo de 47 anos de trabalho, uma trajetória marcada pela garra, pela resiliência, pela determinação de vencer na vida. Minha atuação sempre se deu no setor de prestação de serviços”, completou.
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Preso pela Polícia Federal no último dia 12, Antunes é apontado como facilitador do esquema que desviou recursos de aposentados e pensionistas. Os investigadores afirmam que empresas ligadas a ele operaram como intermediárias financeiras de associações investigadas na fraude.
No depoimento de ontem à CPI, o empresário negou que suas empresas tenham ligação com as fraudes na Previdência. Segundo ele, os negócios apenas prestavam serviços às associações investigadas por descontos irregulares em aposentadorias e pensões. Ele disse também que não tem negócios com governos e que não conhece o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi.
“Toda minha prosperidade é fruto de trabalho honesto e dedicado. Nunca possui patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita. Tampouco ocultei bens no Brasil ou no exterior”, disse o empresário, que também negou qualquer relação com INSS.
Apesar da fala dele de que a alcunha é “fantasiosa”, integrantes da CPI seguiram chamando Antunes pelo apelido — entre eles, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
“Falo olhando no olho de cada um de vocês com todo respeito e seriedade: Não sou, nunca fui e nunca serei jamais esse Careca do INSS que estão falando”, reiterou Antunes.
RECUSA
Antônio Carlos Camilo Antunes se recusou a responder perguntas formuladas pelo relator da CPI. Ele permaneceu em silêncio ao longo de todas as intervenções feitas por Gaspar. O empresário afirmou que, em depoimentos anteriores colhidos pela CPI, o relator “já condenou e me julgou sem me ouvir”.
Alfredo Gaspar iniciou a fase de perguntas com uma provocação a Antunes, afirmando que a comissão estava “diante do autor do maior roubo aos aposentados”.
Também disse que o advogado do depoente era pago “com dinheiro roubado do povo brasileiro”.
O relator afirmou que Antunes irá para um presídio onde terá de conviver com presos cujos parentes foram vítimas do esquema de desvios ilegais. Em uma de suas últimas manifestações, Gaspar afirmou que o Careca do INSS seria um forte candidato a ser executado se houvesse pena de morte no Brasil.
A fala do relator levou a uma reação do advogado do “Careca do INSS”, Cleber Lopes, que foi rebatido pelo deputado Zé Trovão (PL-SC). Os ânimos ficaram exaltados, e o vice-presidente da CPI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), precisou suspender por alguns minutos a sessão.
O depoimento do “Careca do INSS” era o mais aguardado pelos membros da CPI. Ele foi um dos primeiros convocados a depor pelo colegiado.