Política
Movimentos sociais abrem trabalhos
A sessão começou pontualmente às 15h. No plenário e na Mesa Diretora, no lugar dos deputados estavam os manifestantes. Foi assim, ontem, que os movimentos sociais abriram os trabalhos do ano de 2009 na Assembleia Legislativa de Alagoas, ocupada desde a segunda-feira por dezenas de trabalhadores, para exigir a cassação dos deputados acusados de envolvimento na Operação Taturana. A ?Assembleia Legislativa Popular? durou pouco mais de uma hora. O suficiente para os 27 ?deputados estaduais? eleitos pela manhã num gesto simbólico votarem e aprovarem três propostas: a que bloqueia os bens dos deputados afastados pela Taturana, a que reduz em R$ 23 milhões o duodécimo da ALE [fixado em R$ 113 milhões] e cassarem o mandato dos parlamentares indiciados sob acusação de desviarem R$ 300 milhões dos cofres da Casa Legislativa. Um a um os ?deputados-populares? subiram ao plenário da ALE para dizer sim à cassação. Pela Assembleia Popular, o dinheiro do duodécimo vai para segurança, saúde, reforma agrária e outras áreas públicas. ### Mesa Diretora é eleita em votação simbólica | FELIPE FARIAS - Repórter A eleição simbólica para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa foi feita pela manhã, por representantes de entidades que integram o Movimento Social Contra a Corrupção e a Criminalidade (MSCC). A iniciativa fez parte das atividades programadas pelo movimento para cobrar do Legislativo de Alagoas a cassação dos parlamentares afastados de seus mandatos após terem sido indiciados pela Polícia Federal na Operação Taturana. ?O parlamento alagoano desrespeitou o povo e não destinou corretamente os recursos públicos que administrou. Hoje é um dia histórico, que deve servir de alerta, de motivo para reflexão: todo o poder emana do povo e aqui ele o está exercendo. Hoje o Legislativo de Alagoas está desqualificado, não representa mais os interesses do povo?, disse o deputado Judson Cabral (PT), que esteve no plenário na manhã de ontem, para se solidarizar com os manifestantes. ### Após sessão, manifestantes vão às ruas | CARLA SERQUEIRA - Repórter Após a sessão popular, os manifestantes deixaram a Assembleia Legislativa prometendo voltar. Comandados por lideranças sindicais, os sem-terra, índios e estudantes, em sua maioria, seguiram em passeata até o Palácio República dos Palmares, e depois retornaram à praça Dom Pedro II, de onde partiram. ?Vamos devolver a Assembleia, mas o movimento não para por aqui. Estaremos atentos?, informou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Izac Jackson. Enquanto a sessão não terminava, na calçada da Assembleia, James Magalhães, 30 anos; Inácio Aguiar, 59; e Eraldo Melo, 42; membros do Sindicato dos Correios, davam suas opiniões. ?Os desmandos dos deputados taturanas chegaram a tal ponto que o povo resolveu sair às ruas e protestar. A decisão do ministro Gilmar Mendes também é motivo de muita insatisfação?, disse James, ao lado de Inácio, que relembrou o dia 17 de julho de 1997. ?Foi um momento histórico, coincidentemente num dia 17, como hoje [ontem]?, afirmou ele, ao ressaltar. ?Foi providencial ter ocupado a Assembleia ontem [segunda], para evitar embate com a polícia?. ### Invasão deixa marcas na história da ALE | NIVIANE RODRIGUES - Repórter Depois da ocupação da Assembleia Legislativa de Alagoas por movimentos sociais pelo menos uma coisa é certa: a Casa de Tavares Bastos não será mais a mesma. A invasão deixou marcas e história. No mais, tudo continua como antes. Incerteza sobre a eleição da Mesa Diretora; incerteza sobre os candidatos e até se haverá ou não quórum hoje e amanhã, últimos dias antes de o Legislativo Estadual fechar as portas para o período de carnaval. Ontem, o desembargador Pedro Augusto de Mendonça, do Tribunal de Justiça de Alagoas, determinou o retorno dos últimos suplentes que faltavam ter seus mandatos retomados, pelo menos em tese. Jeferson Morais (DEM) e George Clemente (PSB). Isso porque José Maria Tenório (PMN), que saiu quando Maurício Tavares (PTB) reassumiu o mandato, também recorreu à Justiça pleiteando a volta ao cargo. ///