Política
Cresce a concentra��o de renda no Brasil
O Brasil subiu duas posições no ranking de 173 países com relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), passando da 75ª para a 73ª colocação de 1999 para 2000. Apesar da melhora, a concentração de renda no País aumentou mais em relação ao ano passado. As informações foram divulgadas, ontem, pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) no Relatório sobre o Desenvolvimento Humano - 2002. A concentração de renda é medida pelo índice de Gini, que vai de 0 a 1. Zero significaria que cada um dos habitantes de um País teria renda idêntica, situação ideal, mas obviamente utópica. Índice 1, ao contrário, seria o número de um País em que a renda estivesse toda na mão de uma só pessoa, outra situação impossível. O Gini do Brasil, no relatório-2001, mas com base em dados de 1997, era de 0,591. No relatório-2002, com base em dados de 1998, aumentou para 0,607. Renda mais concentrada que a do Brasil só em Serra Leoa, República Centro-Africana e Suazilândia, paupérrimos países africanos. O Pnud divulgou dados sobre o índice de concentração de renda para 116 países (já o mais abrangente IDH lista 173 nações). O IDH considera a longevidade, educação e renda da população dos países. O relatório divulgado no ano passado, na verdade, colocava o Brasil em 69ª classificação, mas a lista incluía apenas 162 países. Entre os países incluídos, seis ficaram à frente do Brasil. Na comparação com o relatório anterior, então, Brasil seria a 67ª. O IDH passou de 0,750 em 1999 para 0,757 em 2000. A expectativa de vida passou de 67,5 anos para 67,7 anos e o índice de adultos alfabetizados passou de 84,9% para 85,2%. Já o PIB (Produto Interno Bruto) per capita passou de US$ 7.037 para US$ 7.625. De acordo com o relatório divulgado nesta terça-feira, a melhora do IDH brasileiro entre 1999 (relatório de 2001) e 2000 (relatório de 2002) foi resultado principalmente do crescimento da renda per capita ajustada pelo poder de compra. Na avaliação do Pnud, os avanços na alfabetização de adultos e na esperança de vida ao nascer não foram suficientes para fazer avançar os índices de longevidade e educação. A situação brasileira no indicador geral do IDH ainda está 13 posições abaixo daquela registrada no ranking de renda, o que reafirma as desigualdades sociais existentes no País. Considerando o índice de renda, o Brasil ocupa a 60ª posição no relatório de 2002 (sobre o ano 2000), no índice educação a 83ª colocação, e no de longevidade, a 102ª. Contestação O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) contesta dados utilizados pelo Human Development Report Office, responsável pelos relatórios sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) divulgados ontem. De acordo com o Instituto, o levantamento usou dados desatualizados com relação ao Brasil. Segundo o Ipea, no relatório de 2002 (sobre o ano 2000), estão totalmente incorretos os dados referentes à educação (taxa combinada de matrícula e taxa de alfabetização) e o dado referente à longevidade (esperança de vida ao nascer). O erro mais grave, segundo o instituto, estaria relacionado à taxa combinada de matrícula, em que o número utilizado mantém-se inalterado desde 1997. ?Essa incorreção não só deixa de refletir os avanços educacionais do Brasil nos anos recentes como também, obviamente, deprime o valor do IDH brasileiro?, informa o Ipea em documento distribuído junto com os dados do IDH.