Política
Caras novas; velhos problemas
Alguns têm apenas vinte e poucos anos, mas já vestem a indumentária da maior autoridade reconhecida pelos habitantes de boa parte dos municípios alagoanos. Muitos deixaram seu Estado de origem para se instalar numa cidade do interior de Alagoas, ocupando o cargo de juiz titular da comarca, numa idade em que a maioria dos jovens ainda está na casa dos pais, construindo os caminhos do futuro e da profissionalização. Outros são daqui mesmo, de Alagoas, mas consolidaram seus espaços onde muitos nem sonham chegar tão cedo; e se estabeleceram, não pela força do sobrenome, como era um costume antigo por aqui, mas pelo mérito de aprovação idônea em um concurso público ? o mais recente e o único realizado em mais de uma década pelo Tribunal de Justiça de Alagoas. ### Juízes superam adversidades Para quem chegou de longe, acostumada a uma outra realidade social e a outra cultura, como a juíza de Boca da Mata, Juliana Batistela Alencar, 33 anos, natural da cidade de São Paulo, a adaptação veio com a vontade de exercer bem sua função, mas as diferenças estruturais, socioeconômicas e culturais foram sentidas e assustaram um pouco no começo, confessa ela. Nada que prejudicasse o propósito de realizar bem o seu trabalho, desde o primeiro momento. ?É um pouco difícil. As pessoas estão acostumadas a querer se impor pelo medo, pela ameaça velada, pelo poder do dinheiro ou da força política da família. E comigo não funciona assim. O critério de atendimento é o mesmo. Todos têm que vir aqui e esperar a sua vez?, avisa ela. ### Na luta contra o acúmulo de processos Numa cidade do interior, o juiz de direito é quase sempre ?eleito? a autoridade máxima. Mais do que o prefeito, o presidente da Câmara, o delegado e até o padre. É ele que tem o poder de aplicar ?os rigores da lei?, e fazer a justiça acontecer, no real sentido da palavra, e no imaginário popular, o juiz pode tudo. ?Muitas vezes somos tomados como psicólogo, delegado, conselheiro. Até um problema do galo do vizinho que canta muito cedo, já trouxeram para eu resolver?, diz o juiz André Avancini, de Porto Real de Colégio. Tanta responsabilidade não pesa nos ombros de pessoas tão jovens? Parece que não! Pelo menos é o que garantem os nossos entrevistados. ?A população é muito respeitosa. Nunca tive qualquer problema nem enfrentei qualquer postura de irreverência por causa da pouca idade?, garante a juíza Lorena Vasconcelos. ///