Diplomacia
Lula vê canal aberto para negociar, mas Trump evita antecipar acordo
Apesar do tom amistoso, reunião entre os dois presidentes não resultou em compromissos concretos
As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e as sanções a autoridades do governo Lula continuam sem avanço após o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado no domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia.
Embora o clima tenha sido cordial e marcado por trocas de elogios, nenhum acordo foi firmado e o impasse comercial permanece.
O encontro ocorreu à margem da cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) e durou cerca de 50 minutos. Foi a primeira reunião formal entre os dois presidentes desde o início da crise tarifária em julho, quando Washington aumentou em 50% as taxas sobre produtos brasileiros.
Trump parabenizou Lula por seu 80º aniversário, chamando-o de “um cara muito vigoroso” e “impressionante”. O republicano classificou a conversa como “muito boa”, mas evitou compromissos sobre a retirada das tarifas.
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“Tivemos uma ótima reunião, vamos ver o que acontece. Não sei se alguma coisa vai acontecer, mas veremos. Eles gostariam de fazer um acordo”, disse o americano, ao embarcar no Air Force One após deixar a Malásia.
Lula, por sua vez, descreveu o encontro como “surpreendentemente bom” e afirmou ter entregado uma lista de reivindicações brasileiras, que inclui a suspensão temporária das tarifas e exceções para carne, café e máquinas industriais. O documento propõe uma trégua de 90 dias nas cobranças, enquanto as negociações prosseguem.
“Na hora que dois presidentes se sentam e expõem seus pontos de vista, a tendência é chegar a um entendimento. Estou otimista com uma relação mais civilizada entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou Lula, acrescentando que pretende ligar diretamente para Trump caso as tratativas emperrem.
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Apesar da cordialidade, fontes diplomáticas disseram que o governo americano não apresentou garantias de flexibilizar as medidas. O próprio Trump indicou que as negociações ainda estão em estágio inicial. “Em relação às tarifas impostas ao Brasil, acho que tudo é justo. Tenho muito respeito pelo presidente e pelo Brasil. Vamos trabalhar em acordos”, declarou o republicano, sem detalhar prazos.
A reunião também abordou outros temas geopolíticos, como a crise na Venezuela, a relação com a China e o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula disse ter explicado que o processo contra Bolsonaro seguiu o devido trâmite legal e destacou que o Brasil “não quer desavenças com os Estados Unidos”.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, as equipes técnicas de ambos os países devem se reunir nas próximas semanas em Washington para definir um cronograma de negociações. O chanceler confirmou que o Brasil pedirá a suspensão das tarifas durante esse período.
Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliaram o encontro como positivo no tom, mas limitado em resultados. Fontes do Itamaraty disseram que Trump demonstrou curiosidade pela trajetória de Lula e empatia com sua história política, mas “manteve cautela” em relação a concessões econômicas.
Apesar das indefinições, o governo brasileiro vê a conversa como um passo simbólico na reaproximação bilateral, após meses de tensão. O presidente americano convidou Lula para uma visita aos Estados Unidos, e o brasileiro retribuiu o convite. Nenhuma data foi definida.