Política
Governo quer dar R$ 700 mil em pr�dio em Cacimbinhas
A notícia da reabertura da Escola Cenecista Nossa Senhora da Penha, em Cacimbinhas, fez marejar os olhos da professora Darcy Duarte, de 70 anos, responsável pela mobilização da comunidade para a construção da sede, finalizada em meados da década de 1970. Acostumada com as dificuldades que o isolamento da vida no Sertão de Alagoas lhe impôs para conseguir ter acesso à educação, em sua juventude, bastaram três minutos de conversa para dona Darcy dar espontaneamente uma explicação para o interesse do governo do Estado em comprar a escola ? sem licitação e pelo valor de R$ 700 mil. Na sua opinião, o fato de o vice-governador José Wanderley Neto (PMDB) ter nascido em Cacimbinhas deve ter contribuído para a tentativa de reativar a unidade, apesar de a única escola estadual do município, denominada Muniz Falcão, ser pequena. ### Processo tramita a passos largos na PGE Na terra do vice-governador José Wanderley Neto, o sertanejo do município chega a esperar entre 15 dias a um mês para ver água limpa jorrar em suas torneiras. Enquanto isso, os moradores recorrem aos trabalhadores que têm por ofício buscar água em cacimbas e açudes da região. E foi em um ritmo comparável ao desta angústia pela chegada da água em Cacimbinhas que o processo número 1800-5941/2008, para a compra da escola, vinha se movimentando no interior da Secretaria Estadual de Educação e Esportes, desde o dia 17 de setembro de 2008 ? ápice da campanha eleitoral. Mas foi somente 30 dias após a posse do prefeito Roberto Wanderley no comando do Poder Executivo de Cacimbinhas que o processo foi remetido para análise da Procuradoria Geral do Estado (PGE). ### Imóvel requer investimento em reparos O fechamento da Escola Cenecista Nossa Senhora da Penha, mais conhecida em Cacimbinhas como a ?Escola da Darcy?, aconteceu na virada do milênio, poucos anos depois de entrar em vigor o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), que diminuiu os incentivos públicos às escolas da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC). De lá pra cá, tanto o município como o Estado chegaram a alugar seu espaço físico para o funcionamento de salas de aula. O último a alugar a escola foi o governo estadual. Hoje o imóvel serve basicamente para a realização de eventos sociais como festas de casamento e formaturas. /// Escola fechada, em Cacimbinhas, pode ser adquirida pelo governo, que ainda não tem projeto definido para uso do imóvel: PGE analisa o negócio. Foto: José Feitosa